Lívia RochaNa manhã seguinte, a sensação era de que a casa inteira respirava tensão. Minha mãe parecia ainda mais determinada. Era como se, depois da discussão do dia anterior, ela tivesse assumido uma missão pessoal, provar para todos nós que Lauro Montenegro era um homem bom. E isso, pouco a pouco, estava tornando a convivência insustentável.— Ele só precisa de uma chance — ela dizia durante o café, mexendo o açúcar na xícara com força demais — vocês estão julgando sem dar espaço.Berta não respondeu, apenas tomou seu café em silêncio, com um olhar firme que já dizia tudo. Arthur também permaneceu calado, mas eu conhecia aquele silêncio. Não era indiferença… era contenção. E eu estava no meio disso tudo, dividida entre o homem que eu amava e a mulher que me deu a vida.— Mãe… — tentei mais uma vez, com cuidado — ninguém aqui quer te machucar. A gente só…— Só o quê, Lívia? — ela me interrompeu — Só quer decidir por mim?— Não é isso. — a forma como minha mãe falava, me machucava m
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