Quando entrei em casa, meu pai estava na sala, lendo o que parecia uma carta. Assim que me viu, tentou esconder sob o corpo. Me aproximei, dei um beijo na testa dele e perguntei: — Está tudo bem? — Sim. E... você está bem? Demorou na entrevista. Sentei no sofá: — Foi... tensa. — confessei — mas não desisti. Ainda. — Vai dar tudo certo, filha. Olhei para o lado da cadeira, onde alguns centímetros do papel que ele escondeu de mim havia ficado de fora. — O que é isso, pai? — Nada! — remexeu-se, incomodado. — Não gosto que esconda as coisas de mim. — Não... é nada importante. — Se não fosse importante, por que você esconderia de mim? Abri a mão na direção dele, que, a contragosto, me entregou o envelope. Li rapidamente. Mas entendi bem pouco. Ele havia sido selecionado para alguma coisa de saúde. Mas não ficava claro o que era. — O que é isso, pai? — Eu... me inscrevi para um tratamento novo. — Que tratamento? — Para... pessoas que perderam os movimentos das pernas. — O
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