272. Minha primeira visão
FelipeEu ouvi a porta se abrir, entendi os passos, o doutor Henrique, eu já reconhecia pelo ritmo. Depois a voz dele, calma como sempre, explicando o que ia acontecer antes de fazer, daquele jeito que eu tinha aprendido a esperar."Vamos retirar a proteção agora, Felipe. Pode ser que você sinta sensibilidade à luz, talvez visão embaçada no início. É normal. Não se assuste."Assenti.A mão do meu pai estava na minha. A Laís estava do outro lado, eu sabia pelo calor e pelo jeito que ela respirava quando estava contendo alguma coisa.Senti quando a proteção saiu.E então veio a luz.Não era o que eu esperava.Era tudo, branco demais, claro demais, uma claridade que não tinha forma nem contorno, que entrava de uma vez sem me dar tempo de processar. Pisquei, e não ajudou. Pisquei de novo, e continuava igual. Uma névoa branca e luminosa, onde eu esperava encontrar o mundo."Estou vendo tudo branco", eu disse, e minha voz saiu diferente. "Só branco. Não estou vendo nada.""É normal", o dout
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