Helena percebeu primeiro nos rostos.Havia algo mudando nas expressões das pessoas.Durante muito tempo, quase todo mundo carregou uma espécie de máscara invisível. Não uma mentira explícita — algo mais sutil. Um estado contínuo de adaptação automática. Sorrisos rápidos demais. Respostas prontas. Reações moldadas mais pela expectativa coletiva do que pela experiência interna real.Agora… algumas pessoas começavam a cansar disso.Ela percebeu isso numa manhã cinzenta dentro de uma cafeteria perto da universidade. O lugar estava cheio, mas diferente dos meses anteriores. Antes, havia uma energia ansiosa constante. Conversas aceleradas, gente tentando parecer ocupada, interessante, funcional o tempo inteiro.Agora não completamente.Havia pausas.Silêncios.Pessoas olhando umas para as outras antes de responder.E, acima de tudo, uma sensação crescente de que alguns já não conseguiam sustentar performance contínua.Helena observou uma jovem sentada perto da janela conversando com duas am
Ler mais