Simon Kaelen— Isso mesmo, você vai fazer! — O velho, feito um pateta ao meu lado, emendou de imediato, tentando pegar carona na minha autoridade, embora a sua voz estivesse nervosa e fanha.Eu o ignorei. Minha atenção continuava travada em Helena. Era estranho, minimamente estranho, que ela estivesse ali, estática, sustentando aquela submissão forçada. Mas seus olhos brilhavam, estavam vermelhos, injetados de puro ódio. O que diabos estava acontecendo com ela? "Sim, senhor?", ela parecia desafiar em silêncio. Eu tentei lê-la, decifrar o que se passava naquela cabeça, mas os loucos são imprevisíveis.Desviei a atenção, olhei de relance para o homem ao meu lado. Vi Alencar murchar no mesmo instante sob o peso do meu silêncio. O braço dele, que antes gesticulava no ar, foi descendo devagar; ele passou a mão pelo próprio corpo, tentando esticar as vestes azuis, recuperar um pingo de dignidade que já havia descido pelo ralo.— Senhor Kaelen... — ele murmurou, a voz sumindo.Não respondi
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