O silêncio antes da reunião do conselho era diferente de todos os outros. Não era apenas expectativa — era cálculo. Elara sentiu isso ao atravessar o corredor envidraçado, onde conversas cessavam não por respeito, mas por medo de errar o tom. O prédio respirava uma contenção artificial, como se todos aguardassem que alguém cometesse o primeiro deslize para medir a reação.Ela não desviou o olhar. Aprendera, nos últimos dias, que hesitação era lida como confissão.Entrou na sala sem anunciar presença. O gesto não era novo, mas agora carregava outro peso. As cadeiras já estavam ocupadas. Alguns membros do conselho mantinham expressões neutras demais; outros, curiosamente abertas, como se já soubessem o desfecho e estivessem apenas cumprindo o ritual.Kael estava ali, à direita, postura impecável, atenção dividida entre ela e o ambiente. Ele não a encarou imediatamente. Elara reconheceu o sinal: ele estava se preparando para intervir, caso fosse necessário. Ou para corrigir algo que não
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