Lucien Bellamy Eu odeio eventos como este. É um tédio! Não pelo que representam como: poder, alianças, reafirmação de domínio. Mas pelo teatro. Pelos sorrisos ensaiados, pelos brindes falsos, pelos elogios que escondem dentes. Ainda assim, estou aqui. No centro. Como sempre. O salão está iluminado demais, o cristal dos lustres reflete nos copos de uísque e nas joias das mulheres que cercam minhas mesas. A música é baixa, elegante, suficiente para preencher silêncios, mas não para impedir conversas estratégicas. E eu estou de olho nela. Elisie. Desde que chegamos, eu não a perco de vista. Esses dias depois da Grécia têm sido cansativos. Reuniões, cargas atrasadas, contatos internacionais testando limites. Dormir pouco. Resolver demais. Eu saio antes de ela acordar e volto quando já está escuro. Não gosto disso. Não gosto de ficar distante. O desejo por um herdeiro ainda está aqui, firme, calculado, necessário. Mas o desejo por ela… é maior. E isso me irrita mais do que dever
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