Ketley Valliant Faço parte da agência Model desde os meus vinte e dois anos. Cresci em uma família rica, cheia de expectativas sobre quem eu deveria ser, como deveria me comportar e, principalmente, o que deveria fazer da minha vida. Mas nada disso me define. Meus pais queriam que eu assumisse algum cargo “respeitável”, algo discreto, elegante, recatado. Quando contei que viria para os Estados Unidos trabalhar como modelo, eles quase tiveram um surto coletivo. Hoje, moramos relativamente perto — cinco horas de carro —, mas, às vezes, essa distância parece um oceano. Sempre que posso, dou um jeito de visitá-los. O mais difícil não foram nem meus pais. Foi meu irmão. Ele é extremamente possessivo. Quando me viu pela primeira vez na capa de uma revista, usando lingeries, paralisou. A discussão que tivemos naquele dia ecoa até hoje. Ele dizia que eu estava “me expondo demais”, que não suportava ver a irmã seminua em bancas, anúncios, redes sociais. Eu dizia que meu corpo era meu, m
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