O hall do sanatório era limpo demais. As luzes frias no teto deixavam tudo com uma aparência impessoal, quase estéril. O cheiro de desinfetante pairava no ar com tanta força que Valentina sentiu a garganta apertar logo nos primeiros passos.Bianca caminhava ao lado dela, mais séria agora. Sem as piadas do carro. Sem o tom leve de antes.Na recepção, o nome da suposta avó com Alzheimer abriu portas suficientes para que um dos administradores viesse atendê-las pessoalmente. Um homem magro, de voz baixa e sorriso protocolar, que falava sobre segurança, conforto e excelência médica como se estivesse vendendo um hotel cinco estrelas.— Nossa prioridade é o bem-estar dos pacientes — dizia ele, conduzindo Bianca por um corredor lateral. — Temos acompanhamento integral, equipe especializada, atendimento humanizado...Valentina ouvia.Mas não escutava de verdade.Os olhos dela corriam pelo lugar.Portas fechadas.Passos apressados de enfermeiros.Um médico atravessando o corredor sem olhar par
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