LorenaFelipe tinha razão. E, por mais que eu relutasse em admitir, eu sentia isso todos os dias. Já não conseguia conciliar a escola com as apresentações; os horários se chocavam, os ensaios ficavam comprometidos, eu precisava sair mais cedo, improvisar, correr contra o tempo. Aquilo que antes me preenchia começou a me sufocar, e eu sabia que não era justo comigo nem com ninguém.Tomar essa decisão doía. Eu amava dar aulas de balé para aquelas crianças, amava vê-las aprender, crescer, se descobrir através da dança. Mas eu também amava o piano. Amava o palco, a música, o silêncio atento antes da primeira nota. E, pela primeira vez na minha vida, eu podia escolher sem medo.Não era uma fuga, nem uma desistência. Era um passo adiante. Eu estava em um lugar diferente agora — mais segura, mais consciente, mais dona de mim. E talvez fosse exatamente isso: entender que crescer também é saber soltar, para poder se dedicar de verdade ao que faz o coração vibrar.E foi exatamente isso que eu f
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