Ponto de Vista de MiaUm sorriso de verdade.Depois a cena muda de novo, se dissolvendo como aquarela sangrando nas bordas.Plantas baixas. Desenhos técnicos. Minhas mãos se moviam pelo papel com confiança de quem já sabe o que faz, o lápis uma extensão dos meus pensamentos. Linhas surgiam — limpas, precisas, cheias de intenção. Medidas se materializavam em anotações caprichosas nas margens. A forma de um cômodo tomava vida sob as pontas dos meus dedos, paredes se erguendo da folha plana para o espaço tridimensional na mente.A sala flui para a cozinha por um arco aberto, sem barreiras interrompendo as linhas de visão. A cozinha se abre para o jardim por portas de vidro do piso ao teto que se dobram completamente no verão. No jardim há —O sonho se quebrou.Acordei devagar, a consciência voltando em camadas. Primeiro veio a percepção do corpo — membros pesados, uma leve torcicolose no pescoço de ter dormido em ângulo estranho. Depois o som — o zumbido distante do trânsito, a TV a
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