O espelho refletia a imagem de Isadora em silêncio. Ela se ajeitou diante dele, observando o próprio corpo com um olhar atento e, apesar das semanas já avançarem, ainda não parecia uma mulher grávida. A roupa escolhida para aquele dia era sóbria: uma calça de alfaiataria bege, uma blusa de seda clara presa delicadamente dentro do cós, e um blazer cinza que lhe dava postura. Nos pés, sapatos de salto baixo, elegantes e discretos. O cabelo, preso em um coque simples, deixava evidente sua expressão austera. Mas, por dentro, a ordem não era a mesma da aparência. A mente de Isadora fervilhava. Luiz. Sempre Luiz. A lembrança dele era como uma sombra que não se dissipava. O que mais a corroía era a constatação de que alguém podia ser consistentemente ruim, egoísta, destrutivo e ainda assim encontrar meios de tirar vantagem disso, sempre saindo por cima. O mundo não era justo, e naquele instant
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