“Às vezes, ser vista é tudo que uma mulher carrega como vitória.”Clara Vasconcelos O mundo inteiro pareceu diminuir quando nossos olhares se encontraram.Eu respirei, mas o ar ficou preso no meio do caminho. Era um olhar que não gritava, não acusava, não perdoava. Era o olhar de quem vê de verdade. De quem está acostumado a olhar para números, contratos, fusões, inimigos e, ainda assim, naquele momento, olhava para mim.Minha primeira reação foi querer encolher.Queria explicar tudo de novo, pedir desculpas que já não tinham mais peso, voltar no tempo. Mas se existia uma coisa da qual eu não me arrependia, era de ter entrado naquela igreja no lugar da minha irmã. Senti a pressão da mão de Helena aumentar um pouco sobre a minha barriga, como se dissesse em silêncio: fica. Aguenta. Você tem o direito de estar aqui.Eu me obriguei a continuar sentada com as costas retas, as mãos entrelaçadas as dela e os olhos presos no de Enzo. Não desvia, Clara. Pelo amor de Deus, não desvie agora.
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