Cap.1Ponto de Vista: KatleiaO silêncio da mansão da Ponte, após a euforia do casamento, era uma coisa espessa e pesada. Não era um silêncio pacífico, mas aquele que vem depois da tempestade, carregado do eco dos risos e do rumor das festas que já se foram.Naquele vazio, cada som se amplificava. O rangido da madeira, o zumbido distante da cidade, o bater do meu próprio coração — um tambor descompassado contra as costelas.Eu estava no meu novo quarto, no andar de cima. Selene dissera que era o mais ensolarado, com vista para os jardins que ainda seriam plantados.Agora, porém, a noite havia engolido a paisagem, transformando as janelas em espelhos negros onde eu só via meu próprio reflexo: uma garota pálida, de olhos arregalados, sentada no chão, encostada na cama, como se o móvel fosse um escudo contra o mundo lá fora.O celular era um peso quente e ameaçador na minha palma. A tela, que havia escurecido, era um portal para um pesadelo que teimava em se fazer real.Minutos antes, el
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