Marcelo entrou no quarto pequeno, sem janelas e sem qualquer possibilidade de fuga. O ar era pesado, quase sufocante, carregado por um silêncio que não trazia paz, apenas expectativa. No centro do cômodo, amarrado a uma cadeira, um homem permanecia imóvel com um saco cobrindo a cabeça. Daniel. Marcelo parou diante dele e observou por alguns segundos, como se analisasse um objeto, não uma pessoa. Então, com a calma de quem já tinha decidido tudo antes mesmo de entrar ali, deu a ordem: — Pode tirar. A voz saiu baixa, mas firme o suficiente para não deixar espaço para hesitação. O capuz foi arrancado, e Daniel piscou várias vezes, tentando se acostumar com a luz forte que atingia diretamente seus olhos. Balançou a cabeça, desorientado, até finalmente conseguir focar no rosto à sua frente. E, quando reconheceu, o choque veio imediato. — Marcelo Santoro… Um leve sorriso surgiu nos lábios de Marcelo, quase satisfeito. — Que bom que não precisamos de apresentação. Daniel engoliu sec
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