Capítulo 53VicenzoA sirene da viatura cortava o silêncio da noite que acabara de chegar quando Paolo foi levado. O observei pela última vez sendo empurrado para dentro do carro policial, algemado, sujo, derrotado, e ainda assim… com aquele olhar vazio de quem não consegue enxergar a própria culpa.Ele abriu a boca para falar algo, mas a porta se fechou antes que qualquer palavra saísse. Melhor assim, não queria ouvir.Quando olhei para trás, Aurora estava cercada pelas irmãs e… destruída. Os olhos vermelhos e os lábios tremendo. O corpo inteiro encolhido se protegendo. E ela estava carregando o nosso filho. Senti o mundo ficar menor, mais estreito, mais perigoso. Me aproximei devagar, sem saber onde tocar primeiro.— Tesoro mio… — minha voz saiu baixa, rouca. — Acabou. Ele não vai chegar perto de você nunca mais.Ela ergueu o rosto e, por um instante, vi tudo: o medo, o nojo, a culpa que não é dela, a força que ela mesma não acha que tem. Ela caiu nos meus braços. E a segurei como
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