Tamer Eu cheguei em casa completamente transtornado, com a cabeça fervendo e o sangue ainda quente da humilhação que tinha acabado de passar. Cada passo que eu dava parecia mais pesado que o outro, como se eu estivesse carregando não só a dor das pancadas, mas também a raiva que estava me consumindo por dentro. Eu queria quebrar alguma coisa, jogar tudo no chão, descarregar aquilo de qualquer jeito… mas meus pais estavam ali, logo atrás de mim, e isso foi o suficiente pra eu me conter, pelo menos por fora. Minha mãe insistiu para que eu fosse até uma clínica, mas eu recusei na hora. Eu não queria sair, não queria dar explicação pra ninguém, não queria parecer ainda mais fraco do que já estava naquele momento. Fui direto pra cozinha, peguei o kit de primeiros socorros e me sentei, enquanto ela vinha atrás de mim em silêncio. Sem dizer nada, começou a limpar meu rosto com cuidado, enquanto meu pai permanecia parado, me observando com os braços cruzados, com aquele olhar que eu conheci
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