Natália Desde o momento em que eu saí daquela casa, eu soube que não tinha mais tempo, e não era uma sensação comum de medo ou desespero, era algo muito mais preciso, muito mais frio, como um instinto avisando que cada segundo perdido estava fechando portas que talvez não voltassem a abrir, como se o espaço ao meu redor estivesse diminuindo aos poucos, invisível, silencioso, mas completamente real, e o pior não era nem a urgência da fuga, era saber exatamente quem estava por trás daquela pressão que começava a apertar sem dar sinal visível algum. Eu entrei no carro sem olhar para trás, batendo a porta com mais força do que deveria enquanto puxava o celular da bolsa quase de forma automática, como se ali ainda existisse alguma solução simples, alguma ligação que resolvesse tudo rápido, mas a tela acesa, limpa, sem notificações, sem respostas, sem movimento, me causou um desconforto imediato, porque aquilo não era normal, não naquele tipo de situação, não quando tudo deveria estar co
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