Acordo sobressaltada, o coração martelando no peito como se ainda estivesse dentro do pesadelo. As imagens voltam com força brutal, mesmo depois de tanto tempo. O corpo realmente guarda tudo, como o pastor da igreja — que também é psicólogo — sempre diz. O trauma não some. Ele só espera o momento certo para morder de novo. Todo mundo carrega feridas. Eu sei disso. Mas as minhas eu entrego de joelhos, clamando por ajuda. É assim que sobrevivo. Oro pedindo o conforto que só Deus sabe dar. Quando me levanto, sinto um alívio pequeno, frágil. Decido sair. Quero respirar o ar do mar uma última vez antes de deixar a Grécia. Já são dez horas, mas não importa. Amanhã volto para Nova York, para a casa dos meus pais, para a vida real. Hoje eu vou viver. Só de pensar em encontrar David novamente, meu estômago dá uma volta. Aqueles olhos profundos ainda me desarmam. Ainda me fazem esquecer, por um segundo, quem eu sou. Visto um vestido longo azul com flores delicadas, discreto, mangas finas que
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