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CENA XI: OS AMORES NÃO CORRESPONDIDOS
[Entram o príncipe, o trovador e o cavaleiro em uma taverna]: PRÍNCIPE: Eu hoje quero aproveitar a noitada tanto quanto os taberneiros querem aproveitar as bebidas, música e comida farta! Há inúmeras donzelas no vilarejo, mas o mais interessante está nos prostíbulos! Eu hei de aproveitar a carne de meretrizes que me aguardam! E vocês, meus caros cavalheiros, o que farão hoje? ESCUDEIRO: Bem, onde tem bebida eu estou! Há-há! CAVALEIRO: Eu estive pensando sobre a glória e a honra. Não sei quanto aos que pecam, quanto aos que abominam a palavra de Deus, onde estará a salvação. Bem, hoje vou pensar um pouco e meditar, não bebo e acredito que é importante manter-se na ordem da pureza. PRÍNCIPE: Ora, como você é sem graça... A bebida é uma porta para o ápice da loucura, da embriaguez! Mas, e você, trovador, o que vai cantar? TROVADOR: Bem, hoje cantarei a canção mais nostálgica que compus para uma dama que me rejeitou. Meu coração agora est
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CENA XII: O FIM ESTÁ PRÓXIMO
[A profetisa anuncia a chegada do Apocalipse no vilarejo:] PROFETISA: Eis uma lua de sangue... Respeitáveis senhores, é com grande pavor que eu vos anuncio: o fim está próximo! Vemos neste mundo uma falsa luz que provém da obscuridade do príncipe das trevas! Ele quer nos enganar de que estamos aqui em pleito obedecendo ao Senhor de todo o coração, mas se disfarça e nos oferece o fruto proibido como o do Jardim do Éden... Adão e Eva se envergonharam sendo expulsos do paraíso e agora a humanidade tem que enfrentar um male terrível: as artimanhas da tentação do mal! O povo luta para encontrar o caminho dos céus, mas ainda não se preparou para o que está por vir! Guerras e pestilências! A danação eterna parece cada dia mais próxima de nós! PADRE: Há quem diga que os feitiços merecem ser proibidos neste reino! A Santa Inquisição está em plena caça às bruxas, pois sua conduta está cada vez mais trazendo pestes para nós. Aos poucos o homem não terá mais saúde se ai
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CENA XIII: A AVENTURA CAVALEIRESCA
CAVALEIRO: Estou realmente surpreendido com a sua coragem por hoje, meu caro escudeiro, pela sua lealdade. Sabe que toda a astúcia do mundo é muito pouca para alguém que decide enfrentar um dragão. Vamos ser reconhecidos como seres que carregam certa glória por eliminar o perigo das redondezas deste reino! Tornar-nos-emos lendas! ESCUDEIRO: Mas que vanglória! Que vaidade! Mal pensam nas próprias vidas e já querem renome! Bem, veja aquele denso bosque, há relvas verdíssimas com ar puro e pomares cheios de frutos lá adiante e um lago profundo, com água cristalina cheio de flores flutuando, é lá que eu queria ficar...   CAVALEIRO: Ora, deixe de bobagem! Depois quando encontrarmos a entrada da caverna, você entra logo atrás de mim. Os outros cavaleiros virão logo atrás!   [O cavaleiro e o escudeiro param no caminho e falam com os outros cavaleiros do grupo]:   CAVALEIRO: Cavaleiros, é com grande destreza que
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CENA XIV: A FLORESTA VERMELHA
PRINCESA:   Como esta floresta me parece obscura às vezes... Meu cavalo é forte o bastante para cavalgar o dia todo, mas por aqui não encontrei o meu querido e amado animal. Dói-me saber que o meu cavalo pode estar perdido nesta longa floresta repleta de altas árvores cujas flores caídas ao chão são vermelhas e que eu jamais o verei novamente. Já ouvi tantas histórias diferentes aqui... Dizem as lendas do vilarejo que há elfos e fadas que cantam e dançam em rodas nas noites de festejo e que só os de corações sensíveis podem escutá-los. Eu imagino essas criaturas com asas de borboletas muito magníficas, com vestes de pérolas e flores, voando a um metro do chão. Eu já ouvi sobre elfos que encantam ao tocarem flautas alegremente com suas músicas esplêndidas... Aqui próximo deve haver um pomar para que eu colha deliciosos frutos... Como é bela a natureza! Vejo a luz do sol penetrando por entre as folhas e a iluminando com um brilho suave... Sinto o cheiro das fl
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CENA XV: O DESAPARECIMENTO DA PRINCESA
RAINHA: Onde está a princesa? Não a encontro no castelo desde ontem...   PRÍNCIPE: Não a vi.   RAINHA: Cavaleiros!   PRÍNCIPE: Convocarei alguns de meus cavaleiros para procurá-la.   CAVALEIRO: Sim, Majestade.   RAINHA: Convoco os cavaleiros do reino para uma procura de nossa princesa que está desaparecida desde ontem. Procurem no vilarejo, nos bosques, nas florestas, em todos os lugares possíveis...   CAVALEIRO: Sim, Majestade.   BOBO: Simples, olhe para o príncipe, tão sensível, parece tão angelical.  Mas por dentro ainda é um demônio disfarçado. Aquele que contempla a poesia fúnebre, mas se sente tão frágil e acaba por deixar desabar a única oportunidade que tem para alcançar o voo para o alto de sua consciência e lá de cima enxergar um paraíso. E de fato, ele ainda tem medo e cai lá embaixo. Os anjos os avisam que ele sente dor,
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CENA XVI: A PRECE PELO DESAPARECIDO
[Na igreja]:   TROVADOR: Padre, acabo de saber que a jovem dama do poder chamada Isabel está desaparecida desde anteontem, podemos fazer uma oração por ela e avisar a igreja.   PADRE: Uma jovem desaparecida? Vamos, sim, orar. [...] Meus respeitáveis senhores que vieram até esta Igreja e procuram salvação para suas almas... Almas estas que estão presas nas correntes do pecado e precisam se libertar. [...] Certa vez, um moço se via perdido no caminho tortuoso do diabo. Cometia usura e foi castigado pelo próprio patrão. Ele estava perdido no pecado, pois não se arrependia pelos seus atos, mas um dia perdeu sua esposa e seus filhos e sentiu-se faminto até fazer uma confissão para a igreja. O que há para nós é que muitos estão perdidos neste mundo. Não perdidos porque não encontraram o caminho de volta para suas casas, mas perdidos porque não estão devotando suas vidas para chegarem ao Reino dos Céus e perdem-se nas trevas do pecado. Ima
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CENA XVII: O FESTIM
TROVADOR: Festa, comida farta, bebida, música... Tudo o que eu tenho direito... E, então, o que estás achando deste festim?   ALQUIMISTA: Sabe que aguardo as suas cantigas, meu bom companheiro. Mas sinto um pavor às vezes em relação a uma série de dúvidas quanto ao futuro deste reino, pois soube do desaparecimento da princesa hoje pela manhã, quando fui à igreja.   TROVADOR: Um grupo de cavaleiros e súditos da rainha foi procurá-la em viagem. Bem, meu jovem alquimista, quais as dúvidas que o amedrontam?   ALQUIMISTA: Bem, não sei o que será do amanhã com tantas guerras próximas... Parece que a ambição do homem tem destruído os sonhos das mais humildes crianças e que as guerras têm amaldiçoado nosso reino com o veneno da discórdia. Mal sei o que pensar... É como o que ouvi do padre, muitos estão realmente perdidos, mesmo estando em seus lares...   TROVADOR: Dizem que o fim está próximo e que vamos ser
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CENA XVIII: O RETORNO DA PRINCESA
[A princesa regressa ao castelo]:   PRINCESA: Madrasta, depois de uma longa viagem, voltei ao castelo. Creio que tenha perdido o meu querido cavalo, pois não o encontrei. Ele foi um presente de minha falecida mãe...   RAINHA: O quê? Sabes que jamais deverias sair do castelo sem aviso prévio, pois enviamos cavaleiros para procurá-la. Pensamos que estavas desaparecida...   PRINCESA: Sinto muito pelo ocorrido, saí às pressas do castelo com um dos cavalos para procurar meu cavalo...   RAINHA: Como ousas causar esse susto em sua única família? Bem, se estavas procurando seu cavalo, ele está morto.   PRINCESA: Oh! [susto]. Como sabes?   RAINHA: Bem, creio que você seja muito nova para se assustar tanto com um mero animal. Existem coisas mais importantes com as quais devemos nos importar do que usar nosso tempo para nos entristecermos com isso...Leer más
CENA XIX: VÍTIMA DE RITUAL
PRINCESA: Não acredito, era um presente da minha mãe, fruto de uma lenda... [choro].   RAINHA: Acalme-se... Antes de tudo, seu querido irmão tem algo a lhe confessar, por favor, não chore... [...]. Há muito tempo atrás chegou uma maldição ao reino: crianças foram para as batalhas armadas com espadas, escudos e elmos, para acordar uma mulher herege que queria o povo como escravo de seus privilégios. Muitos deuses da magia negra se apossaram de outras almas e os tornaram legítimos cárceres de suas ambições. A alma corrompida dos outros doou sangue de animais sacrificados para o alimento do Deus Cornífero.      PRINCESA: O que aconteceu com Filipe?   RAINHA: Esses dias, após ter cavalgado com alguns súditos pelo vilarejo à sua procura, Filipe sentiu-se muito doente e chamamos um médico para ajudá-lo. Descobrimos que ele tem algo terrível.   PRINCESA: O que houve? O que ele tem?Leer más
CENA XX: O SERMÃO E A EPIDEMIA
PADRE: Respeitáveis senhores e senhoras desta igreja, quero comunicar-lhes sobre um male terrível: estamos à sombra de uma epidemia. Deus revela punição aos homens desobedientes, que não se sentem envergonhados pelos seus pecados imundos. A doença veio para castigar aqueles que não se rendem ao caminho dos céus! Lembrem-se de que Adão e Eva ao comerem do fruto proibido foram expulsos do jardim do Éden. Lembrem-se de que os fornicadores são punidos por Deus com a praga! Há neste vilarejo feiticeiras luxuriosas que trazem a maldição a este reino sagrado! Perdidas estão as almas daqueles que não seguem o caminho da igreja! Perdidos estão os seres imundos que deixam os males do demônio se alastrarem em suas casas, fazendo o banquete e levando o ser humano à escuridão, para um caminho repleto de trevas! O livro sagrado condena os fornicadores! Lembrem-se: Deus tudo sabe e concebe castigo àqueles que não seguem a sua palavra! A doença então é punição divina! Arrependei-vos de todo o male!
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