Filhos da Natureza - O Oráculo dos Deuses
Filhos da Natureza - O Oráculo dos Deuses
Por: Cleiton Sampaio
Prólogo

                                                            Jhanny

Era a terceira vez seguida nesta semana. O mesmo sonho/pesadelo/visão/lembrança ou seja lá o que fosse aquilo.

Sempre a mesma coisa. Uma mulher com longos cabelos lisos e loiros, olhos muito verdes e muito bonita. Usava um vestido medieval azul claro e uma capa de seda branca com capuz cobrindo parcialmente a cabeça. Ela estava correndo por uma floresta, desconhecida a Jhanny, parecia estar fugindo de algo ou alguém. Levava em seus braços, alguma "coisa", que parecia emitir sons, embrulhada em um manto de seda rosa que, por vezes, tambem se movia e colocava o que pareciam ser mãozinhas para fora. Um bebê. Jhanny tentava ver o seu rosto, mas a floresta estava meio escuricida, além do semblante desesperado da mulher, era impossível ver mais claramente outras coisas em volta. 

Com seu perseguidor no encalço, a mulher começou acelarar a corrida, o vento da noite afastou por uns instantes o manto do rosto da criança, assim Jhanny conseguiu vê-la. Com certo espanto, a garota percebeu que o bebê era muito parecido com ela, e com a mulher também.Só que diferente da mulher que, para Jhanny, era a mãe da criança, o bebê tinha olhos azuis claros. Mas, o rosto feliz e sorridente da bebê, certamente sem entender nada do que estava acontecendo, assim como Jhanny, era como se fosse uma versão muito mais jovem do rosto desesperado, e agora com lágrimas, da mulher.

Ela continuava correndo e algumas vezes olhava para trás, na direção do perseguidor, que estava cada vez mais perto. Ao fundo, era possível ouvir sons distintos, poderiam ser gritos ou apenas pássaros noturnos, não tinha como saber.

Nas outras vezes em que sonhou, Jhanny nunca descobriu do que ou de quem a mulher estava fugindo. O sonho sempre terminava com alguém gritando e ela acordava. Então, mais uma vez a mulher olhou para trás e dessa vez, como nunca havia acontecido das outras vezes, Jhanny viu algo... ou melhor, alguém. Ela não conseguiu distinguir quem era. Não via seu rosto, apenas um vulto negro oculto pela escuridão da floresta. Estava montado em um cavalo. A mulher se escondeu atrás de uma árvore e prendeu um pouco a respiração para que não fosse ouvida. Não ousou olhar para trás. Jhanny podia sentir o seu medo... A mulher, segurando um pouco tremula o embrulho do bebê, a encarou.

- Logo tudo estará bem, querida. - O bebê sorrio ao ouvir a voz doce de sua mãe sussurrando. Uma voz que Jhanny achava familiar, mas não conseguia se lembrar de onde a ouviu, ou se conhecia a mulher. - Não vou deixar nada acontecer a você. - A voz da mulher era como... como se fosse uma música, a mais bela e suave música que Jhanny já ouvira. Uma voz que acalmava a tudo. Passava a sensação de que realmente ficaria tudo bem.

A mulher se concentrou para tentar ouvir os passos de seu perseguidor, mas ela não ouvia nada além dos gritos ou canto dos pássaros, e os demais sons da escuridão da noite. Talvez ele tivesse desistido. Então, com um suspiro de alívio, ela olhou mais uma vez para o bebê e sorrio docemente, o bebê retribuiu e Jhanny acordou. 

      

                                                             Lúcia

Foi o pesadelo mais estranho e diferente que Lúcia já teve.

Ela acordou mais suada que o normal, mesmo estando nesta época do ano, ela achou que não era nada normal uma pessoa suar tanto assim.

Lúcia se sentou na cama, passou a mão na testa e sentiu algumas gotas de suor descer pelo lado do seu rosto. Ainda sentada, ela encarou as próprias mãos que também estavam suadas, mais que o normal, ela as limpou em sua camisola. Em seguida, respirando fundo, se jogou na cama outra vez, passou as mãos pelos seus longos cabelos castanhos ondulados. Respirou fundo outra vez e fechou os olhos. Ao fazer isso as lembranças do pesadelo vieram em sua mente como se ela estivesse o tendo novamente. Era muito real, como se ela realmente estivesse naquele lugar escuro. Muito escuro.

A escuridão, um breu horrível tomava conta de tudo. Para onde ela olhava não havia nada além da escuridão. Mas ela podia ouvir... Gritos de dor, de sofrimento, de agonia e de guerra. Parecia está havendo um verdadeiro massacre a sua volta. Ela não podia correr por que não sabia para onde. o medo a deixando paralisada. Sua voz não saia de sua garganta. Tudo que ela podia fazer era ouvir os gritos... Mas isso não era o mais estranho do pesadelo, pelo menos não para Lúcia, o que ela achou mais estranho foi a voz de uma mulher gritando por seu nome.

Ela abriu os olhos novamente pensando que tipo de pesadelo era esse. De quem era aquela voz? Ela nunca a ouvira antes. De repente ela sentiu, mesmo estando anormalmente suada, um frio terrível, como se ela estivesse mergulhando em um lago congelado. Ela tateou a sua volta, procurando o cobertor, quando o encontrou, cobriu-se freneticamente, esperando que o frio passasse. Demorou mais do que ela gostaria, mas passou.

Lúcia fechou os olhos e pouco tempo depois adormeceu.

                                                              John

Era como se ele estivesse lá outra vez. Vendo tudo acontecendo de novo. Cada detalhe estava gravado como um filme em sua mente.

John acordou com lágrimas nos olhos. Ele tinha raiva por se lembrar de cada detalhe daquela noite terrível. Tinha apenas dois anos, como poderia conseguir se lembrar de tudo assim? E ainda ter pesadelos horríveis quase todas as noites? Ele se perguntava por que era atormentado com isso. Pedia aos deuses para que o livrassem dessa lembrança, mas não obtinha sucesso. Ao invés disso, elas pareciam clarear mais na sua mente e tornar os pesadelos mais horríveis.

Ele dormia todas as noites com medo de ter esses pesadelos, algumas noites acordava gritando, outras completamente suado e outras, como essa, com lágrimas nos olhos.

Ele continuou ali deitado em sua cama. Limpou os olhos e passou as mãos por todo o seu rosto. Ele estava gelado, mas não sentia frio nem calor, apenas ódio por ter essa lembrança ainda gravada em sua mente. Ele queria arrancá-la de lá, mas não conseguia. Tentava sempre se concentrar em outras coisas, mas a lembrança sempre invadia sua mente, muitas vezes era como se ele estivesse lá de novo.

Olhando para si mesmo, com dois anos de idade, escondido atrás daquela porta. Vendo tudo acontecer por uma fresta com os olhos arregalados, chorando em silêncio. Seus pais ajoelhados diante de um homem encapuzado, envolto numa névoa negra, apenas as chamas de uma lareira iluminava o local. Lá fora, podia-se ouvir o mundo desabando, pessoas correndo e gritando, o som de metal se chocando contra metal e outras coisas. Lá dentro, um silêncio mortal, a não ser pela voz do ser que parecia querer saber alguma coisa dos pais de John, mas eles não falavam, então, a mãe do garoto o viu pela fresta, e sorriu. E então aconteceu, John fechou os olhos com força e tentou afastar aquilo. Esse pesadelo. Estava com a respiração acelerada. Suplicando aos deuses para que não tivesse esse pesadelo outra vez, ele tentou dormir de novo. Dessa vez eles o ouviram e John adormeceu tranquilamente.

                                 

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