Tetraedro III - Mandrágora

Tetraedro III - MandrágoraPT

Yuri Pablo  concluído
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Resumo
Índice

O problema não é gerenciar uma pousada assombrada. Mesmo quando o volume de check-in dos hóspedes mortos começa a superar o dos vivos, o complicado, de verdade, é quando uma das asombrações começa a caçar e matar as demais, perturbando o delicado equilíbrio entre a paz dos mortos e a segurança dos vivos. Nessas horas é sempre importante ter à mão o contato de feiticeiros determinados a lidar com o problema - ainda que não sejam exatamente experientes ou poderosos, desde que o resolvam antes que não haja mais ninguém, vivo ou morto, pelos corredores ou nos quartos.

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12 chapters
Prelúdio e dedicatória
            Em noites anteriores...            O dono de uma loja de cosméticos situada em um dos maiores shopping centers da cidade passa pelo pesadelo de ter sua jovem filha desaparecida por uma noite e pela alegria de reencontrá-la em um hospital dias depois – apesar de desorientada, exangue e sem qualquer lembrança do que ocorrera entre sair da casa da mãe e ser socorrida pela polícia.            Passado o trauma, ficaram estranhos vestígios no comportamento da filha – predileções infantis, sonhos estranhos e desenhos representando um lugar próximo de onde havia sido resgatada, além da descoberta de que ela era apenas uma de outras tantas vítimas semelhantes em idade, sexo e cor de cabelos – todas características procuradas pelo ainda desconhecido sequestrador de loiras &nda
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1 – Deixe seu recado na caixa postal
           Por ser uma de muitas praias turísticas do litoral norte, as Emanuelas não seria, exatamente, uma das mais destacadas em um panfleto turístico. Sua curta extensão a colocaria, talvez, em terceiro ou quarto lugar entre as mais conhecidas, independentemente de suas águas ostentarem o mesmo azul penetrante, refletir o mesmo poente dourado e aquecer a pele de turistas europeus endinheirados com a mesma intensidade que suas vizinhas mais famosas. A meia dúzia de barezinhos à beira-mar, sempre ávidos por visitantes, serviam seus coquetéis ao som de música tranquila e petiscos proibitivamente caros ansiosos em indicar a maioria das pousadas próximas como forma de demonstrar boa vontade aos clientes e também estreitar o relacionamento com os donos das hospedarias.           A maioria das pousadas.       
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2 – Perguntas mortas
           O relógio começou a tocar às três da manhã, em meio-tom, exatamente como programado pelo dono cuidadoso. O ruído polifônico tentava, de forma mais ou menos precisa, reproduzir um trecho de samba de Adoniran Barbosa e Elis Regina, só que o fazia de forma apenas remotamente identificável. Mesmo quando o dedo pressionou a tecla digital e desligou a música, o matraquear da televisão impediu o silêncio de se instalar. O jornalista falava algo sobre um acidente de carro causado por uma capivara em Santa Catarina, ou qualquer nulidade do tipo e foi silenciado pelo botão do controle remoto.           Pedrosa, como era chamado pelos vizinhos, ou Pedrão, pelo pessoal da delegacia, levantou preguiçosamente do sofá, em absoluto silêncio. A xícara de café frio ainda retinha metade de seu con
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3 – Distrações
            – Olhem bem, vocês precisam entender que isso é um trabalho sério. – Dona Esmeraldina dizia, encarando os quatro com severidade. – Eu quase nunca confio de entregar um serviço na mão de outra pessoa, mesmo sendo Daniel.            – Nosso trabalho é sério. – Lena respondeu. – Removemos um demônio e neutralizamos um vampiro só no último mês. Não somos amadores. Podemos lidar com alguns fantasmas.            A velha puxou fumo do cachimbo e ajeitou melhor o turbante branco no topo da cabeça. Os óculos de fundo de garrafa faziam seus olhos estreitos parecerem enormes e seus pés descalços tinham as solas cinzentas de poeira.    
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4 – Questão de segurança
            – Lena, é muito importante. Sei que você não é a pessoa mais rápida para pegar essas coisas, mas quero que se esforce. O Igor, alguma vez, já demonstrou algum comportamento impróprio?            Todos olhavam para Lena com apreensão. Daniel tentava suportar a dor de cabeça cavalar enquanto reunia o maior número de respostas possível antes que Igor retornasse com os analgésicos.            Depois do choque inicial e de ter conseguido retirar o amuleto, quase o perdendo na areia durante o processo, Igor ajudou todos a irem para o carro. A primeira medida que tomaram foi deixar as Emanuelas o mais rápido possível, indo em direção à praia mais próxima. Lá, encon
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5 – Mãe
          Já passava das nove quando os três feiticeiros aprendizes, parados à frente da fachada azul-piscina da Bombordo, acenaram para o táxi em um sinal inconfundível de que deveria partir. A friagem e o tapete espesso de nuvens que cobria a lua anunciavam uma noite chuvosa à beira mar, mas por hora apenas o som da maré enchente preenchia os espaços de escuridão entre a luz fraca dos postes na rua.          O quarto componente do grupo, que carregava a bolsa mais pesada, finalmente se juntou aos demais.          – Você veio passar um mês? – Nandini perguntou a Laura enquanto ela trazia a bagagem para a calçada.          – Metade disso é material de magia. – Ela respondeu. – Você vai me agradecer mais tarde. A mochila era só para
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6 – Penetras
           Lena acordou quando a claridade que entrava pela janela se tornou suficientemente forte para atravessar mesmo as cortinas entreabertas. Apesar da boca seca e da bexiga cheia, sua pele ainda formigava de excitação pelo sonho que acabara de ter.           Sonhara com o menino. O menino cujo nome não descobrira, porque entregara seu cadáver semimorto a um dos seus iguais. O menino que se alimentara de Laura e de outras mulheres durante uma semana ou duas. O menino que esfaqueara até o desespero e quase à morte. Que sentira se debater entre suas pernas enquanto o coração acelerado bombeava sangue quente para fora do rasgo que lhe abrira na garganta.           Mais que isso. Sonhara com o prazer lascivo, se espalhando em ondas desde o baixo ventre até as pontas dos dedos, com que se regozijara ante o sofrimento
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7 – Por trás do reboco
           Nandini desceu ao porão da adega por falta de opções. Havia dois seguranças a procurando na cozinha, e foi por uma sorte imensa que nenhum dos atarefados funcionários percebeu sua presença. Em um último instante de sensatez percebeu que os amigos não vinham em seu encalço, e que não chegaria à porta dos fundos antes de ser vista e perseguida. Esperaria lá embaixo até ter alguma segurança de que poderia subir – apesar de não ter ideia do que faria em seguida.           O porão era só um aposento grande com paredes feitas em tijolo de barro, algumas colunas e uma adega repleta de vinho caro. Além do chão de terra batida, o único detalhe incomum era a parede recém rebocada e os materiais usados para o serviço, além do odor sutil e desagrad&aacu
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8 – Juntos até o inferno
           – Nossas opções são bastante limitadas. – O feiticeiro comentou, sentado junto com Nandini no tapete do saguão. – Na forma em que estou serei de pouca ou nenhuma ajuda.           – Você foi uma ajuda do caralho derrubando a adega no porão. – Nandini agradeceu. – Sem você eu não teria saído de lá viva.           – O problema é que isso me custou muito da força que eu ainda tenho. – Ele explicou, mostrando a mão que já começava a empalidecer. – Não posso fazer nada daquele tipo novamente. Preciso de um corpo. Preciso daquele seu amigo médium.           – O Daniel? – Nandini perguntou. – Ele não incorpora. Fala, escuta e até expulsa.
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9 – Mandrágora
           – Eu não esperava encontrá-los aqui. – Mercedes dizia, com o cano da arma apontado para o peito de Daniel. – Não importa, a essa altura. Está tudo quase pronto. Entrem, os três. Não tentem nenhuma bobagem, ou eu juro por Deus que os mato.           Mercedes parecia ter passado por maus bocados. Estava descabelada e suja. Seus olhos, encovados, pareciam à beira da insanidade. Enquanto os três se espremiam no canto oposto do chalé, ela abria o pingente da correntinha de Laura com uma das mãos, mas não desviava a atenção deles.           – O que está acontecendo aqui, Mercedes? – Daniel perguntou. – Você não precisa nos ameaçar, nós viemos ajudar.           – Sei que um d
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