Sombras da lua: A última feiticeira
Sombras da lua: A última feiticeira
Por: S.M Navarro
Prólogo

Capa: Tinker arte designer

Está é uma obra completamente fictícia. Nomes, personagem, lugares e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Todos os direitos reservados.

São proibidos o armazenamento ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios–tangíveis ou intangíveis– sem o consentimento escrito da autora.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido ne lei nº. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código penal.

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Prólogo

Há milhares de anos quando as estrelas se alinharam pela primeira vez em um raro evento visto pelo homem. Um mago observava na porta da sua tenda, montada nas brumas da floresta. Em suas mãos ele segurava o cálice sagrado: o elixir da vida eterna; o seu bem mais precioso.

Por muitos anos, ele vagou entre os reinos, enfrentando a fome, o frio e a fúria dos inimigos para conseguir tudo o que precisava para estar pronto quando o momento chegasse e, finalmente chegou.

Ele andou alguns metros e largou o objeto de prata no chão alinhando-o com a estrela mais brilhante. Elevou as mãos aos céus e um cântico soou dos seus lábios. Uma melodia estranha, um feitiço criado por Archon; o feiticeiro mais poderoso que alguma vez existiu.

Enquanto a sua voz era levada pelo vento, o mago podia sentir a magia vibrando dentro dele. O poder que emanava do feitiço com tamanha força que fez as árvores balançarem e as folhas voarem das suas copas, formando um redemoinho, prendendo-o dentro dele.

Ele continuou o seu canto até terminar as últimas estrofes do feitiço, naquele momento de pura magia, a estrela maior e mais cintilante caiu e o seu clarão iluminou tudo, até mesmo as aldeias vizinhas e os reinos mais distantes viram aquele brilho celestial cruzar o céu como um raio dourado.

O mago observou com um misto de medo e fascínio quando a rajada de luz caiu direto no cálice sagrado, então tudo parou. O vento, o som, os pássaros, nem mesmo um leve farfalhar se era ouvido, apenas as batidas do seu coração.

Depois de muitos anos finalmente ele conseguiu.

Ele ajoelhou-se na relva e segurou o cálice com extrema delicadeza. O líquido antes branco, agora estava vermelho escarlate como o sangue. Por um momento, pensou que algo tinha dado errado, mas, ao mesmo tempo, ele tinha certeza de que fez tudo certo. Seguiu todas as orientações que encontrou no livro perdido de Archon.

Era sua única chance, não poderia aceitar uma derrota.

O mago levou o cálice lentamente aos lábios e sorveu todo o seu conteúdo, bebendo cada gota do elixir que lhe daria a vida eterna.

Ele esperou sentir qualquer coisa, algo que indicasse que o feitiço tinha funcionado, mas não sentiu nada. Seu corpo continuava franzido, suas juntas e nervos doíam.

“Isso não pode ser possível” pensou ele com amargura. “Era para ficar jovem de novo” praguejou, arrastando-se de volta para a tenda, sentindo a decepção por todo seu tempo perdido. Talvez possuísse ainda mais uns anos se não tivesse desperdiçado tanto tempo em uma lenda maldita.

Desde muito cedo acreditou na lenda da juventude eterna, da magia do livro de Archon. Encontrou o diário do poderoso feiticeiro, enterrado nas profundezas escuras em uma cripta escondida na floresta sombria.

Ele conseguiu ultrapassar as barreiras de espinhos venenosos e árvores que pareciam tentar lhe prender com seus galhos. Foi o único que conseguiu enfrentar todos os perigos que protegiam a cripta de Archon. O cálice e o livro dos feitiços eram para ser dele. Só podia ser o destino que lhe poupou a vida quando saiu da floresta sombria, mas isso custou muitos anos de vida.  O que pareceu uma aventura de dois dias tinha durado muito mais tempo fora do lugar amaldiçoado.

Depois de ler o livro e viajar entre os reinos, buscando todas as ervas e pedras especiais para o ritual. Só precisava esperar a noite perfeita, o momento das estrelas se alinharem.

Isso poderia demorar séculos, talvez milhares de anos. Então, ele encontrou a mágica perfeita no livro e lançou um feitiço de alinhamento estelar que poderia ser usado apenas uma única vez.

Agora ele não tinha nada, tinha desperdiçado todo seu dinheiro, todas suas forças e energias para conseguir o elixir, no primeiro momento, ele queria provar ao rei e a todos os reinos que ele poderia ser mais poderoso que Archon e conseguir o que o bruxo mais poderoso não conseguiu: manter a juventude do seu rei.

Com o passar dos anos e o tempo perdido na floresta escura, ele precisava do elixir para si mesmo, ou morreria em breve. Seu corpo estava quebrado, sua mente estava fraca e até mesmo o simples feitiço o deixava exausto por vários dias. Nem mesmo o rei o tinha chamado mais, depois de não conseguir fazer um simples feitiço para aliviar a dor de sua jovem esposa, ao dar à luz ao seu herdeiro.

De volta a tenda, ele deitou em sua cama de folhas secas e ficou olhando para cima sem saber o que fazer a seguir. Sua única alternativa era esperar seu velho corpo atrofiar e seu coração parar de bater.

Apesar de ter bebido todo o líquido do cálice, a sede e fome lhe assolaram de forma tão intensa que arrastou seu corpo fatigado até o pão duro e velho e serviu-se de água em uma caneca de barro.

O pão desceu como pedras em seu estômago, a água pareceu sufocar lhe.

Ele curvou-se caindo de joelhos no chão e levou às mãos a barriga, enquanto vomitava o conteúdo que mal havia ingerido no chão.

Sua boca queimava como ácido, seu corpo suava e tremia.

“Estou morrendo.” pensou “Depois de tudo esse será meu fim, acabado e quebrado, caído em uma poça de vômito gosmento.”

Seus pensamentos amargos colidiram com a dor lancinante que parecia partir seu corpo em dois pedaços, mas o que mais lhe doía eram o estômago e boca, como se garras afiadas estivessem cravadas em suas entranhas.

A porta da tenda se abriu e seu aprendiz entrou segurando uma tigela com água. O mago lembrou-se de mandá-lo até o rio buscar água fresca para mantê-lo longe enquanto completava o ritual.

O jovem garoto colocou a tigela no chão e aproximou-se de seu mentor, seus olhos preocupados fixos no homem que gemia e se contorcia no chão.

— Mestre? — chamou o garoto, ajoelhando-se ao lado dele e inclinando-se para ouvir os murmúrios que saiam da boca do mago.

Foi quando ele ouviu o coração pulsando do garoto, tão alto e forte como sons de tambores. Podia sentir a vibração do líquido correndo em suas veias.

Algo dentro dele mudou, a fome se transformou insuportável e a única coisa que ele podia pensar era na veia latejando e latejando. Sua gengiva queimava, sua boca em chamas.

Com uma força que não sabia que existia, dominado por algo inexplicável para ele, naquele momento. O mago segurou o jovem e mordeu o pescoço convidativo, tão forte que sentiu seus dentes crescerem até alcançar o líquido quente e maravilhoso do sangue que encheu sua boca como o doce néctar dos deuses.  Ele queria mais, ele queria tudo. Sugou cada gota, saboreando cada momento, até não sobrar mais nada do rapaz, apenas um corpo vazio e nem uma gota de sangue.

Com os lábios manchados de vermelho carmesim, o mago sentiu a força dentro dele, sentia-se melhor do que nunca tinha se sentido na vida. Caminhou com graça até a tigela com água e visualizou a sua imagem refletida.

Ele sorriu e tocou seu rosto jovem e viril.

Finalmente ele tinha conseguido; tinha criado o elixir da vida eterna.

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