Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 4 –
Sofia passou o dia inteiro tentando se concentrar no trabalho, mas era impossível.
A imagem de Arthur Montenegro aparecia em sua mente a todo momento. Não o homem elegante da cafeteria, mas o CEO estampado em reportagens, revistas e portais de negócios. O mesmo homem que comandava um império bilionário.
Ela fechou o navegador e apoiou os cotovelos sobre a mesa.
Ainda não conseguia acreditar.
Arthur nunca havia mencionado sua fortuna ou sua posição. Durante as conversas, falou sobre livros, viagens e experiências de vida como qualquer pessoa comum.
— Você está estranha desde cedo — comentou Marina.
— Descobri uma coisa sobre o Arthur.
— O homem misterioso?
Sofia assentiu.
— Ele é o CEO da Montenegro Global.
Marina ficou alguns segundos em silêncio.
— Você está brincando.
— Queria estar.
— Sofia, esse homem aparece na televisão!
— Eu sei.
Marina segurou os próprios ombros.
— Isso é coisa de filme.
Sofia tentou rir, mas sentia um nervosismo crescente.
À medida que a hora do jantar se aproximava, sua insegurança aumentava.
Ela não fazia parte daquele mundo.
Não frequentava eventos luxuosos nem tinha contatos influentes.
Era apenas uma mulher comum que trabalhava em uma editora pequena e dividia as contas da casa com a mãe.
Quando chegou em casa, abriu o guarda-roupa.
Vestidos simples.
Blusas básicas.
Nada parecia adequado.
Depois de experimentar várias opções, escolheu um vestido azul-marinho discreto.
Elegante sem parecer exagerado.
Pouco depois das sete da noite, uma mensagem chegou.
"Estou esperando lá fora."
Seu coração disparou.
Ao sair do prédio, encontrou um carro preto estacionado próximo à calçada.
Arthur estava encostado na porta do veículo.
Vestia uma camisa escura e um blazer simples.
Sem gravata.
Sem aparência de executivo poderoso.
Apenas Arthur.
Quando a viu, sorriu.
— Você está linda.
Sofia sentiu o rosto aquecer.
— Obrigada.
Durante o trajeto, conversaram sobre assuntos leves.
Nenhum dos dois mencionou dinheiro ou empresas.
Arthur parecia fazer questão de deixá-la confortável.
O restaurante escolhido ficava em uma área tranquila da cidade.
Luzes suaves iluminavam o ambiente.
Nada extravagante.
Nada chamativo.
Aquilo surpreendeu Sofia.
— Eu imaginava algo mais luxuoso.
Arthur sorriu.
— Todo mundo imagina.
— E por que escolheu este lugar?
— Porque a comida é boa e porque aqui quase ninguém me reconhece.
Ela observou seu rosto por alguns segundos.
Pela primeira vez percebeu o cansaço escondido atrás da postura confiante.
— Deve ser difícil.
— O quê?
— Não conseguir ser apenas você.
Arthur ficou em silêncio.
Poucas pessoas compreendiam aquilo.
A maioria enxergava apenas os privilégios.
Não o peso que vinha junto deles.
Durante o jantar, as horas passaram rapidamente.
Risos surgiram com facilidade.
Assuntos mudavam sem esforço.
Era como se se conhecessem há muito mais tempo.
Quando saíram do restaurante, a noite estava agradável.
Eles caminharam lentamente pela calçada.
Nenhum dos dois parecia com pressa para encerrar aquele momento.
Então Arthur parou.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Você ficou decepcionada quando descobriu quem eu sou?
Sofia o encarou.
— Não.
— Nem um pouco?
Ela sorriu.
— Fiquei surpresa.
— E agora?
Sofia demorou alguns segundos para responder.
— Agora estou tentando conhecer o homem por trás das manchetes.
Por um instante, Arthur apenas a observou.
E naquele momento teve a sensação de que Sofia enxergava algo que ninguém mais conseguia ver.
Algo além do dinheiro.
Algo além do poder.
Talvez, pela primeira vez em muitos anos, alguém estivesse interessado simplesmente nele.
Fim do Capítulo 4 ❤️📖







