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Capítulo 5- Pensamentos Obscuros

Cheguei em casa, mas não conseguia parar de pensar em Darían.

No abraço.

No braço dele ao meu redor.

E, principalmente, no coração acelerado que senti quando estava tão perto dele.

Eu só queria ficar mais um pouco ao lado de Darían. Talvez abraçá-lo novamente... e não desgrudar mais dele.

O coração dele batendo forte quando me segurou ao escorregar. Naquele momento, tudo o que eu queria era beijá-lo.

E o abraço dele... aquele abraço que me fez arrepiar.

O cuidado que teve comigo. O jeito como me chamou de querida. A forma como conseguiu me fazer sorrir e, ao mesmo tempo, ficar completamente nervosa.

*Seria normal sentir tudo isso?*

Com certeza, eu não estava bem.

*Estou pensando demais.*

Mas, então, outra pergunta surgiu em minha mente.

*Será que estou apaixonada?*

Ou pior...

*Será que sempre fui e apenas guardei esse sentimento dentro de mim? Será que passei todos esses anos tentando escondê-lo, reprimindo algo que nunca tive coragem de admitir?*

*Por que tudo isso estava mexendo tanto comigo?*

Até então, eu achava que era comum Darían ir àquela casa do lago. Afinal, aquele lugar pertencia à família dele.

Mas, depois do que o senhor Xavier me contou, comecei a enxergar tudo de outra forma.

*Fazia tanto tempo que Darían não ia até lá...*

Darían agora tinha trinta e oito anos.

Vinte anos haviam se passado desde o acidente.

Ele tinha apenas dezoito quando sua primeira namorada sofreu um grave acidente de carro.

A casa do lago era um dos lugares preferidos da família dele.

Então, por que ficou abandonada durante tanto tempo? Será que mais alguém anda por lá??

Tentei juntar as peças na minha cabeça.

Darían estava com ela no acidente.*

Meu coração apertou.

Será que os dois estavam sozinhos naquela casa antes de tudo acontecer?

Será que saíram de lá juntos e, depois, aconteceu o acidente?

Olhei para o teto, completamente perdida em meus pensamentos.

Naquele mesmo ano, começaram a surgir rumores de que Darían estava namorando Isabel.

Foi justamente nessa época que minha mãe me mandou fazer um curso de Arquitetura e Urbanismo no Chile. Ela dizia que seria bom para a minha carreira e que eu estava ansiosa para conhecer outro país.

Mas, pensando agora, parecia haver algo mais.

Mais do que apenas o curso.

Minha mãe estava nervosa. Preocupada demais.

Na época, achei que era um exagero.

*Afinal, era só um curso. Por que tanta importância?*

Agora, porém, uma dúvida começou a tomar conta de mim.

*Ou a verdadeira importância era me tirar daqui?*

*Me afastar de Darían?*

Enquanto eu estava presa em outro país, não poderia ajudá-lo em nada.

E, depois do acidente, fui proibida de vê-lo.

Minha mãe me obrigou a permanecer mais um ano no Chile sem direito a visitas de familiares. Depois, voltei ao Brasil. Mas logo tive que voltar para lá.

Na época, não entendi o motivo.

Mas agora, olhando para o teto e tentando juntar todas aquelas lembranças, uma sensação estranha tomou conta de mim.

*Talvez aquele curso nunca tivesse sido apenas sobre a minha carreira.*

Havia alguma coisa naquela história que eu não sabia.

Algo que ninguém nunca me contou.

Não era só Isabel...

Amélia também o amava?

Ou será que ela era apaixonada por ele... ou pela riqueza da família?

Eu sabia que Isabel o amava de verdade. Desde que éramos adolescentes, ela era apaixonada por Darían. Lembro-me das cartinhas que escrevia para ele, sempre com cuidado, mas que nunca teve coragem de entregar.

E eu escondia o que sentia.

Escondia porque não queria magoá-la.

Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.

Era um choro de angústia. De arrependimento.

*Por que eu nunca consegui contar a ela?*

Por que escondi até de mim mesma que aqueles eram os meus dias preferidos?

Os finais de semana em que Darían e eu saíamos para andar de bicicleta.

Era apenas um passeio simples.

Mas éramos tão felizes.

Naquela época, eu não precisava de nada além daqueles momentos ao lado dele.

Por que demorei tanto para perceber?

Levei as mãos ao rosto enquanto as lágrimas continuavam a cair.

— Me perdoa, Isabel...

Minha voz saiu quase como um sussurro.

— Me perdoa por não ter tido a coragem que você teve de dizer que o amava.

Talvez você tenha sido mais corajosa do que eu.

Porque, enquanto você tentava encontrar uma maneira de contar o que sentia, eu escondia o meu sentimento de todos.

Até de mim mesma.

Mas o que será que aconteceu?

O que a Casa do lago esconde?

O que ele esconde de mim?

E, pela primeira vez, comecei a me perguntar se a casa do lago guardava muito mais do que apenas lembranças.

Talvez ela guardasse uma dor que Darían nunca conseguiu superar.

Por que não me explica?

Fiquei olhando para o teto, tentando encontrar alguma resposta para aquelas perguntas que não paravam de surgir na minha cabeça.

Naquele mês do acidente, chovia muito por aqui. Os rios e açudes transbordaram tanto que chegaram a inundar algumas casas.

Um calafrio percorreu meu corpo.

Senti uma tristeza profunda só de lembrar como aquele dia tinha sido horrível. E eu não estava aqui...

Peguei uma xícara de chá de camomila e me acomodei no sofá.

Pouco tempo depois, acabei pegando no sono.

Na manhã seguinte, precisava me arrumar cedo.

Eu tinha algumas coisas para resolver na minha empresa, a *Pérola Negra – Cosméticos*. Seria apenas uma passada rápida por lá.

Depois, iria até a empresa de arquitetura *Montenegro*, da minha mãe, para entregar alguns designs.

Provavelmente só teria tempo de voltar para casa, almoçar, tomar um banho e seguir para a empresa do Darían.

Olhei para o relógio.

**3h30.**

— Nossa... quem iria me ligar a uma hora dessas?

Ainda sonolenta, mal conseguia enxergar a tela do celular.

Atendi sem nem olhar direito para o número.

Então ouvi aquela voz.

— Leonor?

Meu coração despertou na mesma hora.

— Darían?

— Me desculpa por ligar a essa hora. Mas acho melhor você tirar um dia de folga... ou até três. Pegue um atestado e deixe diretamente no RH.

Franzi a testa.

— Darían, você dormiu? Está me ligando a uma hora dessas?

— Eu já pedi desculpas.

— Eu tenho o costume de acordar cedo. Mas hoje não era o dia, senhor Diretor Executivo.

Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia.

— E está tudo bem. Eu vou trabalhar hoje. E detesto atestado. Não estou doente. Estou bem.

Houve alguns segundos de silêncio do outro lado.

— Leonor, tudo bem. Problema seu.

E desligou.

Fiquei olhando para o celular, completamente surpresa.

— Nossa...

Pisquei algumas vezes.

— Será que eu fui tão grossa assim? Ele ficou chateado? Devo pedir desculpas?

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