Ponto de vista de Rosalie
Eu não conseguia me mover. Fiquei paralisada na entrada da cozinha, encarando Aiden como um animal diante dos faróis de um carro.
Ele caminhou em minha direção.
O espaço entre nós desapareceu. Eu sentia o cheiro do sabonete dele, limpo e masculino. Sentia o calor irradiando de seu corpo.
— Lá fora, agora! — Disse ele.
— Não acho que seja uma boa ideia.
— Não me importa o que você acha... — Sua voz estava dura. — Lá fora.
Ele segurou meu cotovelo, firme, mas gentil, e me conduziu até a porta dos fundos. Minha pele queimava onde ele me tocava. Saímos para a varanda. O sol já havia se posto. O ar estava quente, mas eu tremia.
Ele fechou a porta atrás de nós e se virou para mim.
Durante um longo momento, ficou apenas parado ali, com as mãos cerradas ao lado do corpo. Seu peito subia e descia como se ele tivesse acabado de correr uma maratona.
— Que diabos você estava pensando? — Perguntou por fim.
Cruzei os braços ao redor do corpo.
— Eu não estava tentando ver nada. Só estava indo para o meu quarto, e a porta estava aberta. Eu não sabia que você estava lá.
— Mentirosa.
Estremeci.
— Você ficou parada ali me observando. — Continuou, com a voz mais baixa, mais sombria. — Não foi embora. Não fechou a porta. Ficou me olhando enquanto eu dizia seu nome.
Meu rosto queimou.
— Desculpa.
— Desculpa? — Ele riu, mas não havia nenhum traço de humor. — Você está pedindo desculpas?
— Sim, eu não deveria ter ficado. Deveria ter ido embora. Eu sei disso.
Ele deu mais um passo à frente. Recuei até bater no corrimão da varanda.
— Você faz alguma ideia do que está fazendo? — Perguntou.
Balancei a cabeça.
— Passei seis malditos anos fingindo que você não existia. Seis anos me mantendo longe de você. Seis anos dizendo a mim mesmo que você era apenas uma criança. A irmãzinha de Jeffery. Intocável. Proibida. E eu estava indo muito bem. Mantinha tudo sob controle.
Minha respiração falhou.
— Mantinha o quê sob controle?
— Você.
Ele estava tão perto que eu conseguia ver os reflexos dourados em seus olhos escuros.
— O que sinto por você. O que venho sentindo desde que você completou dezoito anos e apareceu na base usando aquele maldito vestido.
— Aiden...
— Não diga meu nome desse jeito.
— De que jeito?
— Como se quisesse que eu fizesse alguma coisa.
Mas eu queria que ele fizesse alguma coisa.
Queria que acabasse com a distância entre nós.
Queria que me beijasse.
Queria que me tocasse.
— Tenho dezenove anos, não sou mais uma criança. — Sussurrei.
Os olhos dele faiscaram.
— Ainda é jovem demais.
— Para quem? Para você?
— Sim.
— Por quê? Porque meu irmão vai matar você? Porque meu pai vai enlouquecer? Ou porque você está com medo?
— Não tenho medo de nada.
— Então me beije.
As palavras pairaram entre nós como um desafio.
Seu maxilar se contraiu com tanta força que ouvi seus dentes rangerem. As mãos dele agarraram o corrimão dos dois lados do meu corpo, prendendo-me ali. Seu corpo estava colado ao meu, todo calor, músculos e força contida.
— Você não faz ideia do que está pedindo. — Disse entre os dentes.
— Faço, sim.
— Não, Rosie. Não faz. Você acha que quer isso. Acha que me quer. Mas eu não sou um universitário que vai levar você para encontros românticos e andar de mãos dadas. Não sou gentil. Não vou tratar você como uma princesa.
— Eu não quero que me trate assim.
Um som áspero escapou dele, algo entre um rosnado e um gemido.
— Tenho pensado em você todos os dias há meses. — Disse com a voz rouca. — Imaginei seu sorriso. Sua voz. Como seria simplesmente ter você perto de mim. E, todas as vezes, eu me odiei por isso.
Meu coração batia tão forte que achei que pudesse explodir.
— Pare de se odiar. — Sussurrei.
— Não consigo.
— Por quê?
— Porque você merece alguém melhor do que eu.
— E se eu não quiser alguém melhor? E se quiser apenas você?
Alguma coisa dentro dele se rompeu.
Ele me beijou.
Com força. Com desespero. Como se estivesse se afogando e eu fosse o ar.
Sua boca tomou a minha com uma fome que roubou minha respiração. Sua língua deslizou entre meus lábios, e eu me abri para ele sem pensar. Uma de suas mãos se enredou em meus cabelos enquanto inclinava minha cabeça para trás e aprofundava o beijo.
Um som baixo escapou de mim.
Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar, respirando de forma irregular.
— Última chance. — Disse. — Mande-me parar. Mande-me ir embora. Diga que não quer isso.
— Eu quero. — Respondi. — Quero você.
— Porra.
Ele me beijou novamente, com ainda mais intensidade. A outra mão pousou em minha cintura, puxando-me contra seu corpo. Eu conseguia sentir o quanto ele me queria.
Minhas mãos repousaram sobre seu peito. Senti o coração dele martelando sob a palma da minha mão. Senti seus músculos se contraírem com meu toque. Um som rouco escapou dele, algo primitivo e possessivo.
Então Aiden se afastou por completo, abrindo espaço entre nós.
Estendi a mão em sua direção.
— Aiden, você...
— Vou embora amanhã. — Disse abruptamente.
Pisquei.
— O quê?
— Vou partir para outra missão. Saio amanhã à tarde.
As palavras me atingiram como um soco no estômago.
— Por quanto tempo?
— Seis meses. Talvez mais.
Seis meses.
Uma eternidade.
— Então por que está me beijando? — Perguntei, com a voz falhando.
— Porque sou um desgraçado egoísta que não consegue ficar longe de você, mesmo sabendo que deveria.
— Eu não entendo.
— Eu sei que não. — Ele passou a mão pelos cabelos, parecendo atormentado. — Eu não deveria ter tocado em você. Não deveria ter beijado você. E, definitivamente, não deveria estar pensando em você da forma como estou agora.
— De que forma?
Seu olhar escureceu.
— Não me pergunte isso.
— Diga.
— Rosie...
— Diga, Aiden. Diga o que você quer.
Ele me encarou por um longo momento. Então se aproximou novamente e abaixou a voz.
— Quero levar você até seu quarto. — Murmurou. — Quero descobrir cada parte do seu corpo com calma. Quero ser o homem de quem você vai se lembrar quando eu estiver longe. Quero fazer você esquecer todos os outros homens que vierem depois de mim. Quero que saiba exatamente o quanto eu desejo você.
Eu tremia. Meu corpo doía. Eu estava desesperada.
— Então faça isso. — Sussurrei.
Ele recuou para me olhar.
— Você é virgem, não é?
Assenti.
— Porra. — Ele fechou os olhos. — Não posso. Não posso ser o seu primeiro e depois ir embora. Isso não seria justo com você.
— Não me importo com o que é justo. Eu me importo com você.
— Você nem sequer me conhece.
— Conheço o suficiente.
— Não, não conhece. Você não sabe o que fiz. O que vi. A escuridão que carrego comigo. Não sabe o quanto estou quebrado por dentro e muito longe de ser bom o bastante para alguém como você.
Ergui as mãos e segurei seu rosto.
Ele ficou completamente imóvel.
— Então me mostre. — Disse suavemente. — Mostre quem você é, mostre a escuridão, mostre tudo. Não estou com medo.
— Deveria estar.
— Mas não estou.
Ele inclinou o rosto contra meu toque e fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, a batalha que travava consigo mesmo estava estampada em cada traço de sua expressão.
— Uma noite. — Disse por fim. — Vou dar a você uma noite. Depois, vou embora e nunca mais falaremos sobre isso.
Aquilo doeu.
A ideia de tê-lo por apenas uma noite doeu mais do que eu imaginava ser possível.
Mas uma noite era melhor do que nada.
— Tudo bem. — Sussurrei.
— No seu quarto. À meia-noite. Depois que todos estiverem dormindo.
— Estarei esperando.
Ele recuou, criando mais uma vez uma distância entre nós. A máscara voltou ao lugar. O soldado controlado substituiu o homem desesperado.
— Não me faça me arrepender disso. — Disse.
Então se virou e foi embora, deixando-me sozinha na varanda, com o coração acelerado e cada parte de mim já sentindo sua falta.