Capítulo 6

Ele não me deu tempo de reagir.

Com o rosto desfigurado pelo ódio e os olhos vermelhos, Ethan me empurrou pelos ombros com violência, forçando a entrada no quarto.

Cambaleei para trás, me desequilibrando por causa do lençol arrastando no chão.

Ele bateu a porta com força e começou a marchar pelo quarto, revirando o banheiro, puxando as cortinas e olhando ao redor do armário como um animal farejando uma presa.

— Cadê ele, Milena? Cadê a porra do cara que estava aqui com você?! — ele gritava, com a voz histérica ecoando pelas paredes do quarto.

O absurdo daquela cena me trouxe de volta à vida.

A audácia dele limpou qualquer resquício de ressaca da minha mente.

A raiva subiu como um estopim.

— Ficou maluco, seu desgraçado?! Sai do meu quarto agora! — berrei de volta, segurando o lençol com uma das mãos e apontando para a porta com a outra.

Ele avançou na minha direção, parando a centímetros do meu rosto, com as veias do pescoço saltadas.

— Eu não vou a lugar nenhum! Quem é o vagabundo? Com quem você passou a noite nessa espelunca?! Responde!

Uma risada histérica e furiosa escapou dos meus lábios.

O cinismo dele era intragável.

— Você está mesmo me cobrando satisfações, Ethan? Você, que eu peguei ontem enterrado na porra daquela secretária de dezenove anos na mesa da empresa?! Você me roubou, me envenenou com anticoncepcionais para eu não ter filhos, e tem a audácia de vir aqui gritar comigo? Você perdeu o juízo ou o resto de caráter que nunca teve?! Sai da minha frente antes que eu acabe com você aqui mesmo!

— Eu sou seu marido! Você me deve respeito! — ele insistiu, dando mais um passo, tentando segurar o meu braço livre.

Recuei rápido.

O meu limite tinha sido ultrapassado há muito tempo.

Olhei para o lado e agarrei um pesado jarro de porcelana que decorava a mesa de cabeceira.

Ergui o objeto acima da cabeça.

— Dá mais um passo e eu racho a sua cabeça com isso!

— Você não tem mais nenhum direito sobre mim. Nenhum! Acabou, Ethan. Eu vou usar cada advogado, cada centavo e cada podre seu para te destruir. Eu vou te arrancar até as cuecas no divórcio! Suma daqui!

Ethan olhou para o jarro nas minhas mãos, depois para a fúria implacável nos meus olhos.

O medo finalmente cobriu a arrogância dele.

Ele deu dois passos para trás, engoliu em seco e, sem dizer mais nenhuma palavra, girou a maçaneta e saiu batendo a porta.

O silêncio voltou a reinar.

Deixei o jarro na mesa com as mãos trêmulas e me sentei na beirada da cama, com o peito subindo e descendo enquanto eu respirava fundo.

Limpei o rosto com força.

Era hora de agir.

Eu ia focar cada energia que me restava em encontrar o melhor advogado de Londres, assinar o divórcio, acabar com a raça daquele desgraçado e ir embora de uma vez por todas de volta para o Brasil.

Quando vim para o Brasil depois de acabar com Ethan com as provas de que ele me traiu e conseguir arrancar um bom dinheiro daquele desgraçado, achei que iria encontrar a paz com meus pais e meu irmão na pacata e rica cidade de Belos Campos.

Achei que, depois do inferno em Londres, o solo brasileiro seria o meu refúgio, o lugar onde eu finalmente deixaria as lágrimas de lado para curar a minha alma.

Mas eu não podia estar mais enganada.

A calmaria durou pouco, tudo por causa do meu tio Genildo…

Um homem completamente louco, viciado em jogos e atolado em dívidas de agiotagem até o pescoço, deu o nome da nossa família como garantia para os criminosos cobrarem a dívida.

Ele se tornou uma sombra maldita, obcecado em arrancar o dinheiro da nossa herança a qualquer custo para salvar a própria pele.

Bastou um atentado assustador contra o meu pai na semana passada, para que a nossa estrutura familiar balançasse de vez.

E, pronto.

Foi o suficiente para o meu irmão, Rafael, ficar completamente louco, paranoico e obcecado em nos proteger.

Eu achei que, depois de resolver a papelada inicial com os advogados, enfim poderia me mudar para a cobertura luxuosa que acabei de comprar no centro da cidade, um espaço que seria só meu.

Mas Rafael insistiu, quase me arrastando pelas algemas do drama familiar, para que eu ficasse na mansão dele.

O lugar parecia um quartel-general de alta segurança, cercado por muros altos, câmeras e homens de terno com fones no ouvido por todos os lados.

Para piorar, ele insistia em contratar um guarda-costas particular exclusivo para mim.

Eu já tinha colocado dois brutamontes para correr nos últimos três dias, rindo da cara deles e dizendo que não precisava de sombra.

Mas sabia que ele não iria desistir.

Era cedo e eu estava no meu quarto me preparando para sair, quando ouvi duas batidas firmes na porta.

— Tá aberta! — gritei, terminando de prender a fivela da minha sandália.

A porta se abriu e o Rafael entrou.

Ele parou no meio do meu caos e cruzou os braços, me encarando com aquela postura de irmão mais velho que acha que comanda o mundo, então, olhou para o relógio de pulso com a cara fechada.

— Milena, são seis e cinquenta e dois da manhã. Pra onde é que você vai, tão cedo e toda arrumada desse jeito?

Peguei minha bolsa em cima da cama, fingindo uma indiferença que eu estava longe de sentir, e respondi sem olhar para ele:

— Combinei com umas amigas de ir pra uma casa de praia, passar o fim de semana.

Rafael soltou um suspiro pesado.

— Nem pensar.

Parei o que estava fazendo na hora. Virei-me lentamente e arqueei a sobrancelha, deixando meu pior tom irônico assumir o controle.

— Eu não te pedi permissão, Rafa.

Ele fechou os olhos por um segundo, claramente respirando fundo para não estourar comigo.

— Milena, presta atenção um minuto — ele apontou para a caixa de som. — E, por favor, desliga isso.

Bufei, revirando os olhos da forma mais dramática possível, mas caminhei até o aparelho e apertei o botão.

— Pronto. Feliz?

— Um pouco — ele deu um passo na minha direção, a voz caindo para aquele tom protetor que me irritava. — Eu sei que você quer parar de pensar no Ethan, quer sair, se distrair com as amigas, mas não dá pra fazer isso agora. Nosso tio tá solto, Milena. Em busca de dinheiro por estar devendo um agiota perigoso... Ele se meteu com gente pesada. Eu não vou correr o risco de você estar na estrada, ou numa praia qualquer, e algo acontecer.

O peso da menção ao Genildo me atingiu.

Sentei na beirada da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e passando as mãos pelo rosto, sentindo uma exaustão genuína.

— Eu odeio aquele homem.

— Eu também não sou o maior fã dele, não — Rafael murmurou, o tom suavizando um milímetro. — Mas até que a gente saiba o que ele tá tramando, você não vai sair sozinha.

Levantei o olhar para ele, o meu detector de armadilhas ligando na mesma hora. Eu conhecia o meu irmão.

— O que você tá querendo dizer?

— Que eu contratei um guarda-costas pra você e ele já chegou.

— O quê? — Dei um salto da cama, sentindo o sangue ferver.

A fúria do nosso embate no dia anterior voltou com tudo.

— Você enlouqueceu, Rafael? Eu não quero ninguém colado nas minhas costas o tempo todo! Eu quero ser livre, quero respirar!

— Pois é, mas a única forma de você sair dessa casa é com o Nicolas junto — ele cruzou os braços, irredutível. — Sem ele, você não vai a lugar nenhum.

— Eu não preciso de babá! — esbravejei, gesticulando no meio do quarto, com o meu orgulho Fonseca ferido. — Manda esse tal de Nicolas embora, agora!

E foi justamente nesse momento que a atmosfera do quarto mudou.

Um arrepio repentino subiu pela minha nuca, um alerta visceral que fez as palavras morrerem na minha garganta.

Virei o rosto em direção à porta e o meu coração deu um solavanco violento contra as costelas.

Ele estava ali.

Encostado no batente, devia ter quase 1,90m de altura, ombros incrivelmente largos que quase preenchiam o vão da porta, com os olhos azuis intensos, e vestia uma jaqueta de couro pesada que lhe dava um ar brutal.

E o estranho era que eu tinha uma sensação estranha de que o conhecia.

Dei um passo para trás, sentindo meu coração bater forte contra o peito.

— Você é...?
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SuhP1125O cara que ela passou a noite foi o Nicolas? ......
SuhP1125Milena não fez o asqueroso perder tudo não?
Claudia PassosQue pena que a milena não quebrou o jarro na cabeça de ser desprezível
Claudia Passoscomo esse ser desprezível achou a milena nojento cafajeste ainda se acha no direito de cobrar alguma satisfação
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