Guilhermo D'Angelis Entro na ala do meu primo, o novo capo, mas, em vez de seguir direto para seu escritório, vou até a cozinha. Porque, sejamos honestos, se tem um lugar onde Antonella sempre está, é lá. E não por acaso. A mulher faz um café tão bom que até parece feitiçaria. Sem falar que, se eu chegasse até ela com um pedido de favor sem antes trazer um presente (neste caso, minha própria presença encantadora), provavelmente sairia de mãos vazias e, talvez, com um chute no traseiro. Ao entrar, sou imediatamente recebido pelo aroma do café recém-passado. Um verdadeiro abraço quente no coração. Antonella está de costas para mim, ocupada despejando o líquido escuro em uma garrafa térmica, e eu aproveito para me aproximar sorrateiramente. — Prima do meu coração! — cantarolo, escorando-me no balcão com meu melhor sorriso encantador. Antonella nem se vira. Apenas suspira, como se já soubesse que estou aprontando alguma. — Subchefe, você por aqui tão cedo? Precisa de algo?
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