CAPÍTULO 66 — Antes Que Tudo MudeAngelina bateu suavemente à porta e entrou sem esperar resposta, como fazia sempre que vinha visitar a amiga. Mal havia dado dois passos dentro da sala e já parou, franzindo a testa, sentindo de imediato que algo não estava certo. Clara estava sentada no sofá, encolhida, os braços abraçados ao próprio corpo. O rosto estava pálido, os olhos sem o brilho de sempre, e quando tentou levantar-se para recebê-la, cambaleou, apoiando-se com força no braço do sofá para não cair. Angelina foi até ela em três passos rápidos, segurando-lhe os ombros com firmeza e fazendo-a sentar-se de novo.— Clara, olha para mim. Há dias você está assim. Não é um mal-estar qualquer. Você acorda assim, passa o dia assim, e não melhora. Isso já está durando tempo demais.Clara soltou um suspiro longo, cansado, e passou as duas mãos pelo rosto, demorando-se nos olhos como se lutasse contra uma tontura que não passava. A voz saiu baixa, quase um sussurro, carregada de exaustão.— E
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