Aura KellerA sala da mansão estava iluminada pela luz suave da manhã.Dona Ermínia sentava na poltrona favorita, o xale nos ombros, enquanto Dona Sônia servia chá com a naturalidade de quem já pertencia àquele lugar. Eu estava no sofá, as pernas dobradas, o corpo ainda cansado da viagem, mas o coração inquieto. Lucas tinha saído fazia menos de duas horas e eu já sentia o peso da ausência dele. Algo no jeito como ele se despediu me dizia que ele não tinha ido só “resolver umas coisas”.“Então, conta direito” insistiu Dona Ermínia, os olhos brilhando de curiosidade. “A Grécia era tão bonita quanto nas fotos? Vocês aproveitaram de verdade ou ele ficou o tempo todo no telefone resolvendo problema de empresa?”Eu forcei um sorriso, mexendo na xícara sem beber.“Foi lindo, vó. O mar, a comida, os passeios… ele quase não pegou no celular. Ficamos só os dois a maior parte do tempo. Ele até reclamou que tinha que voltar para a loucura da empresa.”Dona Sônia se sentou ao meu lado e cutucou me
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