Laura narrandoDepois que a viatura desapareceu no fim da estrada, permaneci alguns segundos olhando para o portão da mansão.Era estranho.Durante tantos meses eu havia sonhado com aquele momento.Imaginava que, quando Paola fosse presa, eu sentiria uma felicidade imensa.Mas não foi isso que aconteceu.O que senti foi paz.Uma paz silenciosa.Como se um peso enorme tivesse sido arrancado dos meus ombros.Respirei fundo.Olhei para Tiago.Ele sorriu para mim.— Está pronta?Olhei para a casa.A mesma casa onde aprendi a andar.Onde meu pai me pegava no colo quando eu tinha medo das tempestades.Onde minha mãe cantava para eu dormir.E onde, anos depois, tudo havia mudado.Engoli em seco.— Acho que agora estou.Entramos juntos.Assim que atravessei a porta, um perfume suave de madeira antiga e flores tomou conta do ambiente.Fechei os olhos por alguns segundos.Era exatamente o cheiro que eu lembrava da infância.Passei lentamente a mão pelo corrimão da escada.Meu pai sempre dizia q
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