(POV Liah) A mala está pronta desde às seis da tarde, fechada num canto do quarto como se ignorá-la pudesse adiar o embarque de amanhã. Christian não fala muito desde que voltou do CT, o corpo carregando uma tensão que eu reconheço, mas não consigo nomear inteira. Encontro ele na área da piscina perto da meia-noite, sentado na beirada, os pés descalços quase tocando a água parada. A piscina está vazia de gente, o silêncio da Barra cortado só pelo som distante do mar e pelo zumbido baixo das luzes de segurança. — Não consegue dormir? — pergunto, aproximando devagar, os pés descalços na pedra ainda morna do dia. Ele levanta os olhos, e o que vejo ali não é cansaço. É fome contida, o tipo que vem misturado com medo de partir e raiva de ter que deixar alguma coisa importante pra trás. Ele se levanta, o movimento lento, calculado, cada passo em minha direção carregando intenção que não precisa de palavra pra ser lida. — Vem cá — ele fala, a voz rouca, baixa. Ando até ele, e antes q
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