Sofia ChernovVejo meu pai deixar o quarto da minha irmã com o rosto vermelho, batendo a porta com força. Os gritos dele podiam ser ouvidos do andar de baixo, por isso subi às pressas, achando que estava acontecendo algo.Mas antes que eu alcançasse o andar, o ouvir dizer antes de deixar o cômodo:— Tem 27 anos, Olga. Está na idade de se casar, vai se casar... e ponto final.Bato à porta do quarto de minha irmã, e ouço sua voz chorosa:— O que você quer?— Sou eu, ouvi os gritos e vim te ver. — Minha mão toca levemente a madeira da porta, com cautela, como se do outro lado fosse um animal selvagem.Mas de certa forma, Olga nervosa era quase o mesmo.— Ah, é você... — fala com desdém. — Entra.Ainda não sei por que me preocupo com ela, sempre me tratou tão mal.Abro a porta delicadamente e a fecho quase sem fazer barulho. Ajeito meu cabelo que está preso em um rabo de cavalo, os fios loiros escapando do elástico.— Você está bem? — pergunto, mas a face corada e os olhos inchados me dão
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