O Lugar Onde PertencemosElena nunca teve um lugar para chamar de seu.Quando era criança, acreditava que a casa onde vivia com Mirela fosse um lar.Depois da morte da mãe, descobriu a verdade.Casas podiam ter paredes, podiam ter telhados, podiam ter portas.Mas isso não significava que fossem lares.A mansão Vilaró sempre fora prova disso.Grande.Luxuosa.Imponente.E completamente vazia de amor.Por isso, naquela manhã, enquanto caminhava pelos corredores da Fazenda Águas Profundas, Elena sentiu uma estranha inquietação.Porque estava começando a enxergar algo diferente naquele lugar.Algo que a assustava, algo que não queria nomear.O dia começou cedo.Como quase todos.O cheiro de pão fresco atravessava a casa.O aroma do café preenchia os corredores.A luz dourada da manhã invadia as janelas altas.Águas Profundas parecia viva.Respirava.Acordava.Existia.Elena encontrou Bianca na sala principal organizando algumas caixas antigas.A governanta estava sentada no chão.Rodeada
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