Conversas no Jardim Leonardo Gutiérrez.Naquela tarde, descobri que o jardim da chácara tinha sons que eu nunca havia escutado.Não porque eles não existissem antes. Existiam.O vento nas folhas, a água da fonte, o canto dos pássaros, a madeira antiga rangendo na varanda quando o sol aquecia demais. Tudo sempre esteve ali.Eu é que nunca tinha parado para ouvir.Minha vida inteira fora construída em movimento. Reuniões, voos, contratos, ligações, números, riscos calculados. O silêncio, para mim, sempre foi intervalo entre obrigações.Mas ali, sentado no banco de pedra ao lado de Luci, enquanto Sofía e Don Eduardo discutiam se tomates precisavam de música para crescer, o silêncio parecia outra coisa.Parecia descanso.Luci estava com um vestido claro, simples, desses que se movem com o vento. Tinha o cabelo preso de qualquer jeito, mas algumas mechas escapavam perto do rosto. Ela segurava uma xícara de chá já frio entre as mãos, como se precisasse de algo para ocupar os dedos.
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