Os dias seguintes passaram mais rápido do que eu esperava. Ou talvez eu só estivesse ocupada demais pra perceber. A rotina virou uma sequência meio automática: acordar, trabalhar, voltar pra casa… repetir. No meio disso, eu tentava encaixar pensamentos que não paravam, mesmo quando eu queria ignorar.Segunda ainda parecia recente, mas quando me dei conta, já era terça no fim do dia, e eu nem sabia direito o que tinha feito além do básico. O trabalho ajudava a distrair, pelo menos por algumas horas. Era como se, ali dentro, eu conseguisse funcionar no automático sem precisar lidar com tudo ao mesmo tempo.Eu me forçava a manter o ritmo. Em alguns dias era mais difícil, em outros um pouco mais suportável, mas nunca leve. Meu corpo já não respondia do mesmo jeito, e eu começava a perceber isso nas coisas mais simples — ficar muito tempo em pé, prestar atenção por longos períodos… tudo parecia exigir mais.Eu ainda não tinha contado pra ninguém. Nem pra Carla. Era cedo demais, e, no meio
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