ORFANATO MARIA CLARAO som da campainha ecoa alto e insistente pelos corredores silenciosos do Lar Santa Rita, fazendo-me interromper por um instante a organização dos suprimentos no almoxarifado. Como uma das trabalhadoras voluntárias mais antigas da instituição, estou habituada ao fluxo do local, mas o horário daquela chamada e a insistência do toque me fazem apressar o passo em direção ao portão principal de ferro.Ao cruzar o pátio interno, o silêncio da manhã é quebrado por um resmungo fraco, quase abafado, que vem da direção da soleira da entrada. Olho para os lados da rua calma, mas não vejo nenhum pedestre ou veículo se afastando. Ao abaixar o olhar para o chão de pedra, meu coração dispara ao notar uma bolsa grande de tecido escuro, ligeiramente entreaberta, movendo-se com pequenas ondulações.Aproximo-me com o peito apertado e me ajoelho no chão, puxando o zíper da bolsa com as mãos trêmulas. O choque me faz perder o fôlego por alguns segundos.Dentro da sacola, envolta em
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