A rua deserta, mergulhada no silêncio da madrugada, era o palco de um embate silencioso. Do outro lado da calçada, dois homens se encaravam. A tensão era palpável, e as palavras, embora proferidas em voz baixa, cortavam o ar como lâminas.Daniel contraiu o canto dos lábios em um esboço de sorriso que não alcançava seus olhos. Suas íris negras, profundas e gélidas, fixaram-se no homem à sua frente.— Que fetiche peculiar o seu, Sr. Eduardo... — a voz de Daniel era puro veneno. — Gosta de visitar as esposas dos outros no meio da noite?Eles mal se conheciam, mas o uso formal do sobrenome selou o destino daquela interação: de estranhos, tornaram-se adversários declarados.— Daniel, dê a ela um pouco de liberdade. Deixe-a respirar — rebateu Eduardo, sentindo o peso da mudança.Eduardo olhou para a silhueta de Alana. Ele mal podia acreditar que aquela mulher, que há dois anos transbordava alegria, havia se transformado em uma sombra. Ela estava taciturna, com o riso extinto e o cenho perma
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