O som da porta se abrindo veio acompanhado de algo que Filipa reconheceu antes mesmo de ver, e não foi o barulho dos passos nem a movimentação no hall, foi o choro. Não um choro leve, nem um incômodo passageiro, mas um choro descontrolado, daqueles que vêm de um susto que ainda não foi entendido, mas já foi sentido pelo corpo inteiro. Ela se levantou do sofá imediatamente, sem pensar, enquanto Michael também se colocava de pé ao mesmo tempo, os dois se virando na direção da entrada quase em sincronia, como se ambos já soubessem que aquilo não era algo pequeno.Clara apareceu nos braços de uma das babás com o rosto vermelho, os olhos molhados, o corpo pequeno tremendo enquanto tentava se esconder no ombro dela como se aquilo fosse suficiente para afastar o que tinha acontecido. O choro não diminuía, não oscilava, ele vinha contínuo, alto, carregado de medo.— Mamãe…A palavra saiu quebrada, falhando no meio, e foi o suficiente.Filipa atravessou a sala sem diminuir o ritmo, puxando a f
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