Cristina Almeida O apartamento estava silencioso demais, e Cristina sempre odiou silêncio porque silêncio dava espaço para pensamento, e pensamento demais, na maioria das vezes, acabava virando um problema que ela não conseguia resolver só com piada ou com aquela energia impulsiva que sempre foi a marca dela. A televisão estava ligada na sala, não porque ela estivesse assistindo, mas porque precisava de algum barulho para quebrar aquela sensação de vazio que parecia crescer a cada hora. Mesmo assim, o som parecia distante, como se não fosse suficiente para preencher o espaço que estava ficando grande demais dentro da própria cabeça. O notebook permanecia aberto sobre a mesa de centro, cercado por uma bagunça organizada de papéis, contas, anotações rápidas e um copo de café já frio que ela nem lembrava quando tinha feito. Na tela, várias abas abertas exibiam vagas de emprego, plataformas de recrutamento, e-mails enviados, respostas automáticas que já tinham começado a soar como um pa
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