A delegacia não tinha o caos que Ava imaginava, mas também não oferecia qualquer sensação de segurança. O ambiente era frio, funcional, com o som constante de telefones tocando, vozes se sobrepondo ao fundo e o movimento contínuo de policiais que pareciam lidar com situações como aquela todos os dias. Nada ali era dramático. Era rotina. E talvez fosse exatamente isso que tornava tudo mais desconfortável. A secretária estava sentada de um lado, o cabelo ainda desalinhado, a maquiagem parcialmente borrada, mas já completamente diferente da mulher que tinha descido do carro minutos antes. O descontrole tinha desaparecido. No lugar, havia algo muito mais calculado, muito mais perigoso: calma. Ava permaneceu mais afastada, ao lado da mãe, enquanto prestava depoimento. Falou com clareza, sem elevar o tom, descrevendo o que tinha acontecido no estacionamento de forma direta. Relatou o carro vindo na direção dela, a necessidade de se jogar para o lado para não ser atingida, o impacto da qu
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