Capítulo 27 Astrid Eriksson A água ainda caía do outro lado da porta, constante e insistente, preenchendo o silêncio do quarto de uma forma que não me deixava ignorar o que tinha acabado de acontecer. Fiquei parada onde ele me deixou por alguns segundos, sentindo meu corpo reagir ao que não aconteceu, e aquilo era pior do que se tivesse acontecido, porque não tinha alívio, não tinha conclusão, só a tensão acumulada que ele simplesmente decidiu interromper como se tivesse total controle sobre si… e sobre mim. Passei a mão pelo rosto, irritada, tentando afastar a sensação, mas ela não ia embora. Respirei fundo e comecei a andar pelo quarto, tentando focar em qualquer outra coisa, mas era inútil, porque o som da água, a lembrança do toque, da forma como ele me segurou e, principalmente, da forma como parou, voltavam ao mesmo tempo. Quando percebi, já estava perto da porta, e parei ali por alguns segundos, encarando a madeira como se aquilo fosse uma decisão maior do qu
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