"Lorena"Eu ainda estava deitada no sofá olhando para as almofadas, ouvindo os passos da Dalva no espaço da pequena cozinha conjugada com a sala. O cheiro de café passado na hora invadiu o meu nariz, trazendo consigo a realidade crua de um novo dia. As minhas pálpebras pesavam, inchadas pelas horas seguidas de choro da noite. A dor no meu peito ainda era uma ferida aberta, mas as lágrimas finalmente tinham secado. Eu não tinha mais o que chorar. O meu paraíso havia sido queimado e eu precisava aprender a andar sobre as cinzas no inferno.Eu me levantei devagar, ajeitando o moletom que eu vesti na noite anterior tentando expulsar o frio, mas nada me aquecia de verdade. Eu fui até o banheiro e encarei o meu rosto no espelho. Não parecia ser eu. Era como se eu olhasse para o fantasma de quem eu costumava ser. Rosto inchado e marcado de lágrimas, uma palidez fúnebre, as manchas escuras sob os olhos e olhos vazios e sem vida.Depois de uma rápida higiene, eu voltei para a sala. Minha aparê
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