Capítulo 114 — Golpes que curamNarrador:Luigi cruzou a soleira do portão que dava para o jardim dos fundos como quem entra em um local sagrado e, ao mesmo tempo, em um ringue. O ar cheirava a terra úmida e a plantas podadas com disciplina, mas, para ele, não havia perfume que encobrisse a única coisa que vinha sentindo desde que ouviu a notícia: aquele golpe no peito que não era pura raiva nem alívio total. Era uma mistura distorcida, o tipo de emoção que só provocam as pessoas que amamos demais… e que se atrevem a brincar com a morte como se fosse uma moeda.Tony estava lá.Não apoiado com pose de protagonista nem com aquela arrogância que lhe saía quando queria se impor. Ele estava de pé, com os ombros ligeiramente tensos, o corpo ainda pagando o preço pelo que havia acontecido. Seu rosto estava mais magro, a pele pálida, e mesmo assim o olhar era o mesmo: aquele olhar que dizia “sim, estou ferido” e também dizia “mesmo assim, se você me empurrar, eu revido”.Mas não foi isso que a
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