O caminho até o apartamento foi tranquilo, quase silencioso. A cidade deslizava para fora da janela como um filme em câmera lenta, banhada pela luz pálida do fim de tarde. Não havia muito trânsito, e o ronco suave do motor preenchia o espaço entre eles, sem urgência.Davi, na cadeirinha do banco de trás, acompanhava os prédios e as luzes que se acendiam uma a uma. Seu olhar, antes tão carregado de inquietação, agora repousava com uma calma rara. Ao lado dele, Elizabeth mantinha-se apoiada com cuidado, o corpo ainda denso de cansaço e dor, mas a expressão mais leve, como se a simples presença do carro em movimento já fosse um alívio.Theodoro dirigia com atenção redobrada, as mãos firmes no volante, os ombros tensos mas controlados. Evitava qualquer freada brusca, qualquer curva acentuada. Pelo retrovisor, seus olhos buscavam os dois com uma frequência discreta, mas constante, como se precisasse confirmar, a cada segundo, que estavam inteiros.— Está confor
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