O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminado apenas pela luz indireta do abajur ao lado da cama. O silêncio da mansão era profundo, quase reverente, quebrado apenas pela respiração irregular do pequeno Davi.Anita permanecia sentada na poltrona próxima à cama, o corpo ereto por hábito, mas o olhar... o olhar já não era o da mulher rígida e inabalável que todos conheciam.Era o de uma avó.Davi se remexeu entre os lençóis, as mãos pequenas se fechando no vazio, como se buscasse algo, ou alguém.- Liz... - murmurou ele, a voz embargada pelo sono.Anita sentiu o peito apertar.Instintivamente, inclinou-se para frente, passando os dedos com delicadeza pelos cabelos do neto.- Shhh... estou aqui, meu amor... - sussurrou, com uma suavidade que raramente permitia a si mesma.Mas Davi não se acalmou. Seu pequeno corpo se manteve tenso por um instante, e então ele virou o rosto para o outro lado, como se f
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