A noite em Madri era densa, pesada… como se a própria cidade pressentisse que algo estava prestes a acontecer. O céu escuro era cortado apenas pelas luzes distantes e pelo som baixo, quase imperceptível, de uma aeronave cruzando o ar. Dentro do jatinho, o silêncio era absoluto. Eu observava pela janela, os olhos fixos nas luzes da cidade que se aproximavam cada vez mais. Madri. O lugar onde ela estava. Antonella… Não. Francesca Gonzales. Soltei uma risada baixa, sem humor, passando a língua pelos lábios. Ela podia mudar de nome, fugir, se esconder atrás de outro homem… mas não podia mudar o fato de que me pertencia. E isso… eu faria questão de lembrá-la. — Estamos iniciando a descida, senhor — a voz do piloto ecoou pelo sistema. Não respondi. Apenas continuei olhando. Meu maxilar travava a cada pensamento. Ela nos braços dele. Na casa dele. Carregando um filho daquele desgraçado. Fechei os olhos por um segundo, sentindo a raiva subir como um veneno quente pelas veias
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