4. MINHA CRUEL REALIDADE
Os sinais estavam lá, e eu me recusei a vê-los. Roger sempre complacente com Celeste, atento a seus caprichos, justificando seus presentes e atenções com a desculpa de que era a "irmãzinha menor". E eu, acreditando ser especial, não era mais do que a espectadora ingênua de seu romance perverso. Cada vez que fecho os olhos, as imagens se projetam como um filme cruel: os olhares cúmplices nos jantares familiares, os sussurros que compartilhavam na minha frente, eu que era estranha ao seu mundo secreto, as desaparicões simultâneas que agora ganham um novo significado. A verdade é um ácido que corrói meu ser. Deveriam ser eles dois, entrelaçados em sua paixão proibida, que mancharam meu refúgio antes mesmo de eu poder chamá-lo de lar. Roger insistiu em esperar até o casamento para consumar nosso relacionamento, uma farsa piedosa para ocultar que já saciava seus desejos com Celeste. Mas a pergunta que me atormenta é: por quê? Se seu amor era tão ardente, por que não se uniram em vez
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