“Há momentos em que a vida vence… e, ainda assim, alguém precisa continuar lutando para não partir.”O choro de Clarice ainda preenchia o ambiente quando tudo começou a mudar, não de forma brusca ou alarmante, não com um grito ou qualquer sinal evidente de que algo estava errado.Mas de um jeito silencioso e progressivo, quase cruel na forma como se infiltrava naquele momento que deveria ser apenas de alívio, como se o próprio corpo de Amélia, depois de resistir a tudo o que precisava, começasse a ceder exatamente quando já não havia mais espaço para fraqueza.Ela ainda segurava a filha nos braços, mantendo-a próxima ao peito com um cuidado quase instintivo, como se aquele contato fosse a única coisa que a mantinha ali, presente, consciente, enquanto os olhos marejados percorriam o rosto pequeno, absorvendo cada detalhe, cada traço, como se precisasse guardar aquilo dentro de si.— Você é exatamente como eu havia sonhado… — repetiu, com a voz mais baixa, mais frágil, mas ainda carrega
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