— O que é isso na sua cabeça, pai? — Joaquim perguntou, apontando para o curativo.Pedro levou a mão ao machucado por reflexo, sorrindo de lado.— Machuquei no sábado, lutando, filho. Mas já tá tudo bem — respondeu, com uma naturalidade ensaiada demais pra quem conhecia a verdade.Norma franziu a testa na hora.— Já falei pra você parar com esse negócio de academia. Você já trabalha demais e ainda fica se machucando — disse, no tom clássico de bronca materna, misturando preocupação e cansaço.— Não foi nada demais, mãe — Pedro minimizou, dando de ombros. — Coisa boba.Letícia manteve os olhos na mesa, fingindo interesse nas opções de doces — bolo caseiro, pão doce, fatias de melancia, um prato de biscoitos.Por dentro, porém, a cabeça dela estava longe.Sem perceber, mordeu o lábio inferior, num gesto automático — distraído, quase inconsciente.Pedro viu.E o impacto foi imediato.O gesto pequeno demais, íntimo demais, puxou lembranças recentes demais pra serem ignoradas. O peito dele
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